Apagão... de inteligência

Quis o destino que a pane energética, pela falta de chuvas, conduzindo-nos à ameaça de um grande apagão, nos encaminhe, paralelamente, a uma carência de... inteligência

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(Foto: Reuters)


Nos sistemas republicanos que se espalharam da Europa para outros pontos do Planeta, chegando ao Brasil, depois do Império, no século XIX, chamava a atenção a escolha dos dirigentes por sua capacidade intelectual. A quantidade de filtros para selecioná-los exigia altos índices de habilidade e domínio da razão para superar opositores e ganhar: pelo voto. Nem sempre tais requisitos se consagraram. Em certas ocasiões, o encantamento da população se deixou levar por outros fatores, às vezes pelo brilho das bandeiras partidárias, pela cor dos olhos ou por discursos demagógicos. Tivemos, mesmo assim, quadros notáveis na direção dos destinos de alguns povos: Franklin Roosevelt, Churchill, Mitterrand, Lenin, Mao Tsé Tung e, entre nós, Getúlio Vargas, cujo estilo, numa carta, adiou por dez anos a possibilidade de um golpe de Estado. A complexidade dos problemas e o desenvolvimento das discussões afastaram, em vários momentos, tais personalidades notáveis, deixando-nos, eventualmente, perplexos com o que nos ficou.

Quis o destino que a pane energética, pela falta de chuvas, conduzindo-nos à ameaça de um grande apagão, nos encaminhe, paralelamente, a uma carência de... inteligência. Inteligência, brilhantismo, não faltam a Lula. São qualidades, entretanto, que não abundam em nosso atual ocupante do Planalto. O homem confunde, ainda mais agora, que anda nervoso, laranjas com limões. Não percebe que são cítricos de características peculiares, cada um na sua. Perguntado pelo impeachment contra o Ministro Alexandres de Moraes, apresentado ao Senado, lamentou-se das atitudes de Rodrigo Pacheco, o Presidente do Congresso. Disse à TV CNN, com a cara à beira do choro, que o mesmo aprovara uma CPI contra ele (na verdade, fora uma imposição do STF!) e, com dois pesos e duas medidas, mandara arquivar a sua solicitação de impeachment. Os juristas, em uníssono, a qualificaram de equivocada e de péssimo teor argumentativo. Terá sido questão de... inteligência? Ou, realmente, de loucura, desatino, de absoluta e total insensatez? Nem todos os loucos, é verdade, pecam por falta de... lucidez. Há muitos que, de fato, brilham no exercício da razão a ponto de adquirirem adeptos e seguidores na política ou em todos os ambientes profissionais. Mas, quando se começa a tomar limonada, trocando-a por sumo de laranja, e se insiste em assegurar que a safra veio azeda... Aí a coisa está ficando séria. 

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Étienne De La Boétie, quando refletiu sobre o autoritarismo, logo observou que os tiranos não tinham apenas dois olhos, dois braços e duas pernas. Eram inúmeros os seus braços, olhos e pernas, porque via, andava e pegava com boa parte da população. Nós conhecemos o lado trágico, contagiante, do desatino. Estamos, sem dúvida, além de sofrer com a Covid-19, vivendo convulsões de... falta de massa encefálica. Bobagens do tipo “desistam do feijão”, “comprem fuzis”, como se não passassem de laranjas ou limões, podendo nos saciar com elas, bateram o recorde dos desequilíbrios. Esperemos que logo, com uma aragem de renovação, nos reconciliemos com a inteligência. De outro modo, viraremos um daqueles países que desistiram de ser sérios.

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