Por Miguel Paiva, para o Jornalistas pela Democracia – “Senhores passageiros, este é o voo da FAB de número 1717 com destino a Nova Deli e escalas em Brasília, Salvador, Genebra e Dubai. Por favor apertem seus cintos e mantenham afivelados para o resto da vida”
– Mas que história é essa de Nova Deli? Eu estou querendo ir para Paris, gritou o Ministro da Economia lá da primeira classe.
– Que Paris, que nada. Este voo deveria ir para Orlando. Minha família está toda lá, respondeu o ministro do turismo escondido no fundo do avião.
Enquanto taxiava pela pista o comandante escutava pelo seu fone de ouvido uma playlist só com os cantores sertanejos que foram prestigiar o presidente.
No meio da cabine Regina Duarte sorria para todos os passageiros em volta. Alguns respondiam, outros se importavam com este excesso de alegria e mais alguns dormiam sem ligar para onde o voo iria. Queriam aproveitar a boca livre.
Regina queria ir para a entrega do Oscar em Los Angeles mas foi informada que um filme brasileiro que critica o governo estava concorrendo a melhor documentário. Acabou comentando com seu vizinho de assento que não vai ser um filme que vai acabar com a nossa história.
– Que história, perguntou o vizinho?
– A história dessa novela que eu estou protagonizando.
– Desculpa, querida, mas o protagonista é o presidente.
– O presidente é o galã. Eu sou a protagonista, afinal sou a namoradinha do Brasil, a eterna Rainha da Sucata…aliás, quando esse avião aqui virar sucata estou interessada.
O avião decola sem saber muito bem que rumo tomar. Recebe uma mensagem urgente do presidente dizendo para voltar. Que ele não tinha autorizado a viagem de ninguém.
O comandante responde que foi o Moro quem autorizou. Inclusive ele está a bordo dormindo na classe executiva e não quer ser acordado.
– Mas eu sou o presidente. Dá meia volta nessa joça e pousa de novo aqui em Brasília.
– Presidente, o aeroporto de Brasília acabou de fechar por mau tempo na casa civil.
– Tenta o Rio de Janeiro.
– Lá o governador cercou o aeroporto para impedir a entrada de chineses. Todos os aeroportos estão fechados. É o Corona Vírus.
– Que Corona é o cacete. Achem um lugar para pousar. Estão todos demitidos, inclusive o senhor, comandante.
Sem perceber que o microfone estava aberto para os passageiros o comandante respondeu.
– Posso largar o serviço então, presidente?
– Se der para pousar primeiro seria bom.
Os passageiros começaram a gritar a bordo. O avião balançava em meio a uma tempestade aumentando mais ainda a confusão. O clima era de total balbúrdia para delírio do Ministro da Educação que também estava a bordo procurando ainda no mapa para onde queria fugir.
Da janela um dos passageiros viu o piloto e o copiloto saltando de paraquedas. Começou a gritar.
– O avião está sem comando. vamos cair.
– Vamos não, respondeu um analista político entre os passageiros só para justificar esta história. Ele completou.
– Já estamos há mais de ano sem comando, não é agora que essa jaca vai cair. Em certos casos o Brasil consegue voar melhor sozinho. Comissária, por favor, me traz um uisquinho?
E no céu cinzento e tempestuoso que cobria todo o país o nosso avião da FAB seguia sem plano de voo, sem destino, sem vergonha e sem piloto.
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