Apesar do câmbio e do brent favoráveis Petrobrás registra prejuízo no 3º trimestre

O maior problema da Petrobrás hoje é o modelo de administração que objetiva apenas maximizar a remuneração dos acionistas, pouco se importando com o futuro da companhia e sua importância para o país

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Mesmo com o brent a US$ 43 o barril e o câmbio a R$ 5,38 a Petrobrás registrou prejuízo de R$ 1,55 bilhão  no 3º trimestre de 2020. 

A geração de caixa, históricamente uma das principais características positivas da Petrobrás, foi forte (R$ 46,10 bilhões) mas a liquidez corrente de 1,15, se manteve bem abaixo do histórico da companhia sempre acima de 1,50, registrando um menor conforto financeiro. 

Mas o maior problema da Petrobrás hoje é o modelo de administração que objetiva apenas maximizar a remuneração dos acionistas, pouco se importando com o futuro da companhia e sua importância para o país. 

Uma empresa que deveria estar se capitalizando, na verdade reduz seus investimentos ao máximo para poder dirigir o maior volume de recursos gerados para o ralo dos dividendos. 

No 3º trimestre de 2020 os investimentos da Petrobrás foram de apenas R$ 1,6 bilhões, provavelmente o menor investimento trimestral dos últimos 15 anos. 

E o CEO, Roberto Castello Branco, em sua carta da destaque ao caixa livre (geração – investimentos) como se isto fosse muito relevante para a empresa. 

Por outro lado a receita vem caindo sistematicamente e com ela a importância da companhia para a economia brasileira. As diferenças são enormes. 

Ainda não temos os resultados em dólares para o 3º trimestre de 2020 para uma melhor avaliação, mas se verificarmos o acumulado até o 1º semestre vamos encontrar uma receita liquida de US$ 26,6 bilhões em 2020. 

Não é preciso ir muito longe, em 2016 neste mesmo período a receita liquida foi de US$ 38,30 bilhões, com o cambio a R$ 3,70 e o Brent a US$ 39,73. 

Tão relevante quanto a queda na receita é a sua origem. Em 2016 menos de 10% da receita vinha de exportações, hoje as exportações representam mais de 30%. Tudo não seria tão importante se as exportações não estivessem concentradas em um único país : a China. Isto cria uma dependência desnecessária para a empresa. 

O pior é que a queda de receita tende a aumentar se forem concretizadas as vendas das refinarias. 

A primeira venda parece que já está concretizada, da Rlam (Bahia) para o fundo Mudabala da Arábia Saudita. E qual a importância disto ?

Bem, da Arábia Saudita é também a maior petroleira do mundo, a Saudi Aranco. 

Por “coincidência” a Saudi Aranco é sócia (50/50) da Shell em três refinarias no Golfo do Mexico de onde , atualmente são exportados cerca de 200 mil barris dia de combustíveis (diesel e gasolina) para o mercado brasileiro, aproveitando a política de preços da Petrobrás. O Preço de Paridade de Importação – PPI.

A Shell por seu lado, produz hoje no Brasil mais de 400 mil barris dia de petróleo, sem pagar qualquer imposto , graças à Lei 13586/2017, originária da Medida Provisória 795/2017, conhecida como a MP do trilhão. Tudo com o apoio de nossos congressistas. 

A Shell também é sócia da Raizen no Brasil, junto com a Cosan (maior esmagadora de cana de açúcar do mundo). A Raizen serve como biombo para encobrir as atividades da Shell no Brasil. 

Diante deste cenário podemos imaginar o número de opções parao futuro da Rlam.  

Agora, no final do próximo mês de novembro, a diretoria da Petrobrás vai a Nova Iorque para apresentar no novo plano de negócios cobrindo o período 2021/2025

Como ocorreu no ano passado, o plano da empresa é primeiro apresentado na Bolsa de Nova Iorque, para depois ser apresentado aos brasileiros. É um absurdo. 

Fica a pergunta : quanto custa e de que serve isto para os brasileiros ? 

Sr. Presidente Jair Bolsonaro. O Sr. que sempre diz que o Brasil está acima de tudo, mande abrir um “ordem interna” no sistema SAP da Petrobrás, para apurar e informar aos brasileiros quanto custa esta brincadeira. Quanto custa tirar fotografia “batendo martelinho” na NYSE. Além de avião, hotel e restaurantes de 1ª para a turma. 

Um país cujo povo, por falta de informação, não defende seus próprios interesses é fadado à escravidão.

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