Articulações políticas

Reflitamos: Os militares no poder e a Arena no comando das duas casas do Congresso Nacional. Pensei que era parte da seção "há 50 anos", mas não, é a situação atual do País

Articulações políticas
Articulações políticas (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Articulações fazem parte do jogo político. Uma esquerda dividida no Congresso pode significar enfraquecimento do movimento de resistência ao governo retrógrado, mas também é reflexo das várias correntes de pensamento de pessoas e grupos sérios envolvidos. O PT paga o preço por ter sido o único partido do campo progressista a ter conquistado o poder, mas também acumulou erros, difíceis de serem admitidos. O PDT de Ciro Gomes, por sua vez, tem muito a explicar pela ausência no segundo turno de 2018.

Já para a direita não deve ser difícil confundir ficção com realidade. Tacla Duran é o exemplo mais visível da falta de ética do ex-juiz Sergio Moro, proibido por todos os meios de dar seu depoimento, desmascarando a Lava Jato. O próprio fato de Moro ser ministro revela a política que fez desde o início, mas seus cegos seguidores veem tudo como perfeitamente natural. O que se alerta como possível futuro é o duro presente.

A caixa preta do Judiciário jamais será aberta e casos como o do corregedor Humberto Martins são apenas a ponta do iceberg que deixaram passar. Em um país onde apenas convicções e não fartas provas condenam pessoas, e os protagonistas do Direito viram ministros sem qualquer contestação ética, o milhão da propina do corregedor é cafezinho. No mais, é um escárnio o loteamento do sistema jurídico brasileiro, uma vez que a crise que atinge o funcionalismo público sequer chega perto do Judiciário. Esse poder, de forte protagonismo, não é eleito e faz sangrar a sociedade que lhes paga gordos proventos além de simbólicos auxílios-moradia.

Fica muito claro que está sendo construído um novo 1964, sem a presença, ainda, dos tanques nas ruas. A guerra dos militares no poder será contra os opositores políticos e os que defendem um Brasil para todos, não para uma elite. O filme O Paciente, de Sergio Rezende, está em cartaz e não é mera coincidência: o próximo passo é remover o capitão – por meio de alguma bactéria oportunista na cirurgia que já está causando pneumonia – e assumir de vez o general.

Reflitamos: Os militares no poder e a Arena no comando das duas casas do Congresso Nacional. Pensei que era parte da seção "há 50 anos", mas não, é a situação atual do País. Aquele partido da ditadura se transformou em PDS, parte do qual virou PFL para ficar no poder com Sarney, e, agora é o DEM. Invertendo as posições no Senado e na Câmara, Rodrigo Maia tem fortes ares de ACM, mas Davi Alcolumbre tem tudo para ser um Severino Cavalcanti. Em eleição com apenas 81 votantes e cerca de dez fiscais, entre os escrutinadores, os servidores na boca da urna e os mesários, houve fraude. Ouço agora o silêncio dos que dizem que as urnas eletrônicas são passíveis de fraude e o voto deve voltar a ser em papel, já que seria apenas mais um dentre os vários retrocessos atuais. No Senado ficou bem claro que, quando há interesse, a material cédula em papel pode não corresponder à fiel vontade dos eleitores.

E por falar em Senado e composição da mesa diretora, a pergunta urgente no momento é quantas laranjas se pode comprar com o quase meio milhão de reais com que Flávio Bolsonaro será contemplado mensalmente? Esse é o sinal do novo tempo, do fim das mamatas e falcatruas? A podridão natural é útil porque transforma, mas, no poder, é apenas a manutenção de privilégios sem a correspondente ação para melhorar a sociedade.

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