As eleições deste ano podem se transformar em batalha campal

"Mas há sinais fortes do judiciário e das forças armdas de que a Constituição será cumprida, garantidas as eleições e a posse do eleito", diz Laurez Cerqueira

www.brasil247.com - Lula, Bolsonaro, Moro e Ciro
Lula, Bolsonaro, Moro e Ciro (Foto: Stuckert | ABr)


Por Laurez Cerqueira 

As bombas da semana estremeceram o chão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, indicam que a campanha eleitoral pode se transformar numa batalha campal.

O TCU quebrou o sigilo do processo que investiga a participação do ex-juiz Sérgio Moro em contratos com a empresa Alvarez & Marsal, com sede nos Estados Unidos.

A montanha de dinheiro apareceu. Só das empresas alvo da Lava-Jato, a Alvarez & Marsal levou R$ 42,5 milhões de reais.

Dessa montanha de dinheiro, feitas as contas em miúdos, Moro embolsou mais ou menos R$10 mil reais por dia, por serviços prestados.

Que trabalho tão valioso é esse que Moro fez para receber, por serviços de consultoria, US$ 45 mil dólares (R$ 240 mil reais por mês), mais bônus de US$ 150 mil dólares (R$750 mil reais)?

No contrato inicial com a Alvarez & Marsal, Moro aparece como sócio da empresa, mas, depois que o TCU abriu o processo, o contrato foi mudado e ele passou a figurar como empregado. Estranho, não?

Apenas para refrescar a memória, nesse calor de janeiro, o Tribunal de Contas da União foi quem legitimou a farsa das “pedaladas fiscais” que acabou sendo a peça jurídica de sustentação do impetchment da presidenta Dilma. Na época, Aécio Neves arrebanhou um grupo de parlamentares golpistas e foi ao TCU, em comitiva, buscar o tal relatório das “pedaladas fiscais”.

No mesmo dia da quebra de sigilo do processo do ex-juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula foi inocentado pela juíza morista Pollyana Alves, da 12° Vara da Justiça Federal, no “caso triplex”, e o processo foi arquivado definitivamente. O manto moralista que cobria a “Operação Lava-jato” está se esfarrapando. Não dá mais para encobrir o escândalo.

A juíza Pollyana Alves é uma da turma de magistrados que assinou um manifesto de apoio a Sérgio Moro, quando ele era mandatário da Lava-jato. Isso é sinal de que a percepção de quem realmente Sérgio Moro é está mudando. Moro e seus processos forjados estão expostos na praça ao sol do meio dia. A Vaza-jato também contribuiu para que os falsarios de Curitiba fossem desmascarados.

O ex-presidente Lula vê a verdade triunfar, entra na campanha como vítima da perseguição de uma organização criminosa chefiada por um juiz não apenas parcial, como o STF o condenou, mas como juiz venal.

Ou seja, o golpe que derrubou a presidenta Dilma deu numa tragédia política, econômica, social, e os golpistas não têm projeto para tirar o país da crise, não têm candidato para concorrer às eleições, não têm lideranças nem articulação orgânica. O negócio dessa gente é negócio.

Também, no mesmo dia, Bolsonaro se recusou a depor na Polícia Federal, no inquérito do STF que investiga o vazamento, por ele, de dados sigilosos de um processo em segredo de justiça.

Diante do descumprimento da decisão judicial, o ministro Alexandre de Moraes poderia determinar a condução coercitiva do presidente, mas optou por levar o caso ao plenário do STF. Bolsonaro perdeu a oportunidade de, no depoimento, se defender. Sem o depoimento, o tribunal dará a sentença de acordo com os elementos de que dispõe.

Tudo indica que essa decisão de Bolsonaro foi calculada. Ele pode transformar isso numa bandeira de mobilização dos seus seguidores para manifestações contra o STF e o TSE. Pode dizer que está sendo perseguido e que não aceitará qualquer decisão do TSE, inclusive o resultado das eleições. Seria estertores de um derrotado.

Condenado em última instância, Bolsonaro torna-se “ficha suja” e impedido de registrar a candidatura no Tribunal Superior Eleitoral.

A campanha começa a dar ares de uma batalha campal. Não vão querer o país nos trilhos da democracia. Mas há sinais institucionais fortes do judiciário e das forças armdas de que a Constituição será cumprida, garantidas as eleições, a posse do eleito, e o enquadramento dos fora da lei.

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