As empresas de telecomunicações e a democracia

"Se em 2020 temos um leve desconforto no monopólio da narrativa pela presença das vozes dissonantes da internet, não subestime a potência de entrar na casa de cada brasileiro no horário nobre, entregando a informação a sua feição, todos os dias em doses extremamente ajustadas"

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As relações institucionais entre poderes e todos os setores da administração pública estão previstas e regulamentadas por leis e resoluções, e quando entram em conflito o próprio estado  tem sua capacidade de mediar e arbitrá-los conforme as “regras do jogo”, porém, existe uma  força imponderável, transitória, moldada ao tempo em que se vive conforme as pressões lhe  são aplicadas, essa força é a “opinião pública”.  

Opinião pública pode ser exemplificada de maneira simples como a opinião média da maioria  da sociedade que compõe a amostra, e por sempre buscar a pasteurização, simplificação da  média, ela tende a ser medíocre e rasa. O tempo nos mostra que problemas complexos não possuem soluções simples, e desta forma sempre estaremos no conflito paradoxal entre a  opinião pública, simples e rasa, e o tratamento dos problemas desafiadores e complexos da  sociedade. 

Se tem uma coisa que não está sob controle dos poderes institucionais é a opinião pública, e  naturalmente a opinião pública deveria se formar baseada na relação das pessoas com as  políticas públicas desenhadas pelos poderes institucionais, certo? Errado! Longe disso, é  importante lembrar que a opinião pública é resultado das pressões aplicadas a ela, e não há ferramenta mais eficiente de pressionar a opinião pública do que um veículo de comunicação,  que defenda uma linha narrativa bem construída, todos os dias, o dia todo, se apresentando  como isento e prestador de serviço público. Observe a perversidade dessa relação quando um  agente privado, com interesses distintos, se apresenta como um “prestador de serviço público”. 

Não há como negar, ser um moldador da opinião pública é muito sedutor e poderoso para  aqueles que querem se relacionar com o poder institucional, aliás, é como se os poderes  institucionais fossem tutelados a todo momento pelas empresas de comunicação. Não bastasse  a relação de dependência direta, quando observamos que os grupos de comunicação têm como  seu maior cliente o poder institucional, os governos, chegamos a três conclusões, essa é uma  relação de promiscuidade, a segunda é que há conflitos de interesses, e a terceira é que essa é  uma relação de disputa de forças e espaços, chantagens, e sobretudo, é uma disputa eterna. 

Se em 2020 temos um leve desconforto no monopólio da narrativa pela presença das vozes  dissonantes da internet, não subestime a potência de entrar na casa de cada brasileiro no  horário nobre, entregando a informação a sua feição, todos os dias em doses extremamente  ajustadas. Lembre-se que a internet ainda é luxo de uma camada específica da população nas  regiões metropolitanas, e a TV e Rádio ainda são os veículos mais capilarizados e consumidos no  Brasil. Quem ignorar que a internet vive uma crise de confiança, com uma infinidade de  conteúdo falso e sem embasamento científico estará negligenciando essa relação, e mais, saiba  que existe uma faixa etária que não aprendeu e não aprenderá a consumir informação de outra  forma, senão a entregue pelo âncora do jornal das 9h.

Esse é o retrato da relação da imprensa com o poder público, e venho reforçar que não há solução  simples para problemas complexos, e se tem um problema complexo é essa relação construída por questões econômicas diretas, econômicas mercadológicas, ideológicas, e de sucessão e  perpetuação de poder. Vigiar, e mostrar a informação oculta, subliminar e ate mesmo as  inconfessáveis tem que se tornar um exercício permanente dos veículos alternativos, de  maneira organizada para que se ganhe escala nessa entrega, e trabalhar desde já pela criação  de fóruns de vigilância, organizações multisetoriais em formato de consórcios, sempre  amparados pela ética, ciência e finalidade social.  

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