As ligações da Lava jato com os americanos e a lawfare

Saiu a violência das baionetas e fuzis e entrou a sofisticada lawfare, o uso indevido de recursos jurídicos para fins de perseguição política. Uma guerra em que agentes manipulam a legislação e abusam do direito como arma de guerra para destruir inimigos políticos e instalar governos comprometidos com os EUA

moro lula
moro lula (Foto: Sebastião Costa)

Quem acompanha a história política da América Latina sabe que os EUA estiveram por trás de vários golpes ocorridos no continente. Essencialmente no Brasil em 64, com  participação mais sutil,  e sem nenhuma inibição no Chile de Salvador Allende.

Foram golpes militares que derrubaram governos democráticos  comprometidos com as causas sociais e desvencilhados das políticas imperialistas americanas. Os generais impostos promoveram com muito repressão o aniquilamento das forças progressistas e se alinharam aos interesses do governo americano.

O mundo evoluiu e as metodologias se tornaram mais lights. Saiu a violência das baionetas e fuzis e entrou a sofisticada lawfare, uma sutileza que corresponde  ao uso indevido de recursos jurídicos para fins de perseguição política. Uma guerra em que agentes manipulam a legislação vigente e utilizam a estratégia de abusar do direito como arma de guerra para destruir inimigos políticos e instalar governos comprometidos com  as diretrizes emanadas pelo gigante econômico.

Os interesses e a participação do governo americano nas investigações da Lava jato ficaram escancarados na  mensagem do Subprocurador-geral dos EUA Keneth A. Blanco em palestra proferida em julho desse ano no seminário DIÁLOGO INTERAMERICANO:  “É difícil imaginar, na história recente, uma melhor relação de cooperação que esta entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e os procuradores brasileiros. Esta cooperação nos ajudou de forma substancial com uma série de temas públicos que agora estão resolvidos, e continuamos juntos em uma série de investigações”.

Segue o procurador: "A cooperação entre o Departamento de Justiça e o Ministério Público  levou a resultados extraordinários... Os procuradores brasileiros conseguiram um veredito condenatório contra o ex-presidente Lula da Silva". Ele abre o seminário dando as boas-vindas ao amigo, Rodrigo Janot e com muita desenvoltura revela que os procuradores brasileiros e o DOJ “operam inclusive fora dos processos formais".

Os advogados de Lula brandindo os argumentos vinculadas à lawfare falam da tentativa de  deslegitimar o ex-presidente, com  "manipulações do sistema legal, abuso de direito, tentativa de influenciar a opinião pública, judicialização da política e promoção de desilusão popular".

A destituição de Dilma  caminhou por essa mesma trilha. O impeachment seguiu os protocolos legais, mas o crime de responsabilidade nunca existiu, conforme  concluiu a própria perícia técnica do Senado, em total harmonia com os argumentos dos defensores da presidenta. Mesmo assim, o STF entrou na jogada da lawfare e as togas  ratificaram o golpe.
 
Convenhamos, mais suave do que a brutalidade dos quepes!

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