As razões de Lula para combater a taxa de juros do Banco Central

""A taxa básica de juros só atingiu um patamar elevadíssimo porque isso atende aos interesses econômicos que administram o capitalismo", diz o jornalista

www.brasil247.com - BC mantém juros em 6,5% pela sétima vez consecutiva
BC mantém juros em 6,5% pela sétima vez consecutiva (Foto: © Ueslei Marcelino / Reuters)


É importante lembrar, mesmo que seja desagradável repetir. Ao denunciar a política de juros praticada pelo Banco Central, Lula trava uma disputa política contra a pior herança financeira do bolsonarismo   -- a autonomia do BC.  

Não se trata de uma guerra de gabinete nem de uma polêmica obscura em torno de visões opostas de política econômica. 

É um confronto do tamanho do PIB brasileiro, entre os dez maiores do planeta, que tem impacto direto no nível de emprego, no poder de compra das famílias,  no investimento público e na taxa de crescimento dos próximos anos.  

Em 2023 o país suporta aquela que é considerada a mais alta taxa de juros do mundo e isso se explica por uma razão simples e direta, que nada tem a ver com argumentos  obscuros disponíveis nos  editoriais da grande mídia verde-amarela.  

A taxa básica de juros brasileira só atingiu um patamar elevadíssimo  -- 13,75% ao ano, numero que é ampliado diversas vezes antes de chegar ao consumidor final  -- porque isso atende aos interesses econômicos que administram o capitalismo em sua etapa financeira, e ganharam um poder nunca visto após o golpe que derrubou Dilma Rousseff e abriu caminho para a patifaria bolsonarista. 

Em fevereiro de 2021, por 339 votos a 114, a Camara de Deputados referendou um decisão anterior do Senado e aprovou a chamada autonomia do Banco Central -- eufemismo para entregar os destinos da economia brasileira ao capital financeiro. 

Foi uma derrota de dimensão histórica, que contribuiu para agravar uma desigualdade acumulada ao longo de séculos, alimentando fortunas pornográficas na lista dos países mais ricos do mundo. 

Do ponto de vista da democracia, a decisão amputou uma parcela fundamental dos poderes de um presidente da República e, por essa via, produziu um desfalque sem remédio na soberania popular. 

Antes da autonomia, cabia ao presidente da República nomear o presidente do BC e, dessa forma, definir uma decisão crucial para a economia, os empregos e a distribuição de renda -- a taxa básica de juros. Com a autonomia, a presidencia do Banco Central ganhou vida própria, como um réptil que quebra a casca do ovo e ganha o direito de agir sobre o conjunto da economia. 

É nesse ambiente em que a economia brasileira se encontra --  e ninguém precisa recordar a tragédia que essa situação representa. 

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