Avanço da direita ou triunfo do analfabetismo político?

Os últimos acontecimentos no País, somando às prisões de Cabral e Garotinho, pareceria o trecho de algum romance realista fantástico, uma crônica improvável sobre fatos ainda mais improváveis, mas têm ocorrido. 

Os últimos acontecimentos no País, somando às prisões de Cabral e Garotinho, pareceria o trecho de algum romance realista fantástico, uma crônica improvável sobre fatos ainda mais improváveis, mas têm ocorrido. 
Os últimos acontecimentos no País, somando às prisões de Cabral e Garotinho, pareceria o trecho de algum romance realista fantástico, uma crônica improvável sobre fatos ainda mais improváveis, mas têm ocorrido.  (Foto: Igor Santos)

Imaginem uma senhora confundindo a bandeira do Japão com uma bandeira comunista. Pois é, aconteceu. Triste é assistir à cena, gravada pela própria senhora. Rimos, mas deveríamos refletir.

Na mesma semana um pai mata o filho. Motivo: o menino era de esquerda. Nos portais que noticiaram o bárbaro crime seguido de suicídio, comentaristas de portal aplaudem a barbárie, lamentam o pai ter se matado e dizem que no lugar também teriam feito o mesmo.

Em protesto na Alerj, tentam justiçar um jornalista, na mesma manhã que aplaudem um oficial da tropa de choque carioca que supostamente teria se negado a reprimir os manifestantes. Na mesma manhã aplaudem policial e tentam agredir jornalista.

Em Brasilia um grupo de extrema-direita invade o congresso e tumultua a sessão, pediam intervenção militar, manifestando saudades dos generais e sua equipe de torturadores e criminosos do estado, quebraram vidros, danificaram microfones e nada foi feito, os manifestantes pacíficos passaram o dia nos corredores da câmara - inclusive a senhora que confundiu o mural em homenagem aos 100 anos de imigração japonesa com propaganda comunista - o presidente da câmara apenas encerrou os trabalhos do dia.

Tudo que contei até agora, somando as prisões de Cabral e Garotinho, pareceria o trecho de algum romance realista fantástico, uma crônica improvável sobre fatos ainda mais improváveis, mas têm ocorrido. Prisões espetáculo, juízes cuja seletividade é a qualidade mais admirada por certas aves de rapina.

Analistas e cientistas políticos falam em recuo das forças progressistas, dizem que é momento de reflexão, aconselham, desenham mapas, traçam criticas e bolam planos, passeios no nada, na obviedade que flerta com a ignorância. E apenas vejo militantes agredindo jornalista, aplaudindo PM e passando pano para vereador direitista, pois ele é negro e chamá-lo de capitão do mato é racismo, tudo embasado na fácil ferramenta discursiva ''mas é minha opinião'', como se achismo fosse método e o ''e se'' fosse ciência. Tempos sombrios, tempos fragmentados.

Para encerrar o texto deixo uma pergunta:

O que vivemos atualmente é o avanço da direita ou o triunfo do analfabetismo político?

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