Banalização da vida e política como pulsão de morte

Bolsonaro representa o arquétipo da desvalorização da vida. Porém, este sentimento fúnebre e contrário aos ideias humanistas não nasceu com ele e nem deixará de existir com a sua desejadíssima derrota



O encontro histórico entre a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência da república e a hecatombe sanitária provocada pela pandemia da covid-19 povoará por anos a fio a subjetividade individual e a mentalidade coletiva de brasileiros e brasileiras.

Viveremos os próximos 30 anos procurando compreender os elementos de determinação que resultaram no desafortunado aperto de mãos entre pandemônio e pandemia e, principalmente, prospectando as formas possíveis de redução dos gigantescos danos provenientes desse macabro encontro.

Num curtíssimo intervalo de dois anos, demos vários passos adiante no processo de esvaziamento do valor da vida humana, que tem raízes profundas no nosso passado escravista e uma reprodução permanente associada ao caráter selvagem do capitalismo que aqui se desenvolveu.

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Aprendemos, no decorrer da história, a não nos indignarmos com a abissal desigualdade de classe, raça e gênero, bem como com os elevadíssimos índices de homicídios cometidos principalmente contra jovens negros das periferias de todos os cantos do país.

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Desde março de 2020, habituamo-nos a acompanhar o incontrolável crescimento do número de mortes pela covid-19, que poderiam ter sido evitadas caso a presidência da república estivesse sendo ocupada por uma outra liderança, de esquerda ou de direita.

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Tamanha resignação diante de uma violência político-sanitária que se acoplou à brutal violência de ordem estrutural que nos assola desde a colonização não pode ser reduzida, entretanto, ao mal causado por Jair Bolsonaro e tudo aquilo que ele representa.

Bolsonaro representa o arquétipo da desvalorização da vida. Porém, este sentimento fúnebre e contrário aos ideias humanistas não nasceu com ele e nem deixará de existir com a sua desejadíssima derrota. Não gostaria de desempenhar o papel de um inconveniente “estraga prazer” nesse momento em que os ventos começam a soprar noutra direção, mas pensar os terríveis anos que atravessamos como um ponto fora da curva na história brasileira poderá nos distanciar do fato de que banalização da vida e política como pulsão de morte atravessam as nossas entranhas históricas.

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Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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