Bloco lança frevo carnavalesco com Bolsonaro como espírito maligno

A tradição do bloco em homenagear um elemento ou ritmo da cultura popular brasileira se cumprirá com foco nos povos indígenas.O objetivo é claro: defender os territórios e o valioso patrimônio étnico e cultural de mais de 30 povos que vivem em aldeias espalhadas por todo o estado

(Foto: Reprodução)
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O bloco de rua mais democrático de Porto Velho convida os foliões à primeira pajelança carnavalesca.

O desfile está programado para o dia 16 de fevereiro, a partir das 15 horas, no circuito Pinheiro Machado, no centro da Capital.

A tradição do bloco em homenagear um elemento ou ritmo da cultura popular brasileira se cumprirá com foco nos povos indígenas.

O objetivo é claro: defender os territórios e o valioso patrimônio étnico e cultural de mais de 30 povos que vivem em aldeias espalhadas por todo o estado.

Vários povos estão sendo chamados para desfilar na frente do cortejo momesco e muitos já confirmaram participação.

É novidade frevo indígena e vários compositores se dedicam a realçar os saberes e a importância dos indígenas na proteção do meio ambiente.

Altair Santos, o Tatá, foi o primeiro a entregar o frevo que destaca o orgulho indígena, a forma guerreira de reagir a constantes ataques promovidos por invasores de terras.

“Meu Pirarucu Guerreiro

O rei desse terreiro

Enxotador de ‘anhangá’

Chama o povo pra cá

Chama os manos e as tribos

Cuidado não vá se ‘espantá’

Espia só, eu vou te contar”

Outra novidade anunciada pela diretoria é a participação na abertura do desfile da banda Quilomboclada, símbolo de resistência na proteção da cultura dos povos originários. O orgulho beraíndigena é amplificado com a mistura de vários ritmos brasileiros nas composições da banda ativista.

“Sonoros béra, quilombos

Ninguém destrói nossos sonhos

Não vão roubar nossas terras

Aqui tem luta e tem festa

Aqui tem quilomboclada”

Fundado há 27 anos, o bloco não comercializa nada e conta com o apoio de foliões para arcar com o pequeno custo da grande festa.

A Orquestra Puraqué desfila no meio do povo, com os pés no chão e com repertório de marchinhas e frevos.

O tom é de festa e carnavalesco, mas como tradição do bloco, é também de protesto.

“O Pirarucu é símbolo de resistência da cultura popular. Nosso dever é dar as mãos a nossos ‘parentes’ indígenas quando as forças do mal avançam para destruir a cultura e dominar seus territórios”, diz Ernande Segismundo, presidente do bloco.

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