Bolsonaro desagrada militares para agradar Trump

Os militares estão sofrendo estocadas fortes dentro do governo por meio dos neoliberais do mercado financeiro, aliados do ministro Paulo Guedes, que acham que eles precisam ficar na deles, sem interferir muito na condução do processo econômico, financeiro e político nacional.

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Os militares estão sofrendo estocadas fortes dentro do governo por meio dos neoliberais do mercado financeiro, aliados do ministro Paulo Guedes, que acham que eles precisam ficar na deles, sem interferir muito na condução do processo econômico, financeiro e político nacional. A banca está incomodada com a proatividade militar, na tentativa de dar freio à política ultraneoliberal, que acelera sucateamento da indústria nacional, esvaziamento do Estado e consequente alienação das riquezas nacionais, via privatizações. Também se incomodam com interferência deles na disputa geopolítica, frente à guerra estridente com a China, na questão da vacina contra covid-19 e do leilão da plataforma 5G, em que Bolsonaro e Trump trabalham para inviabilizar participação da Huawei. O mercado financeiro é a voz de Wall Street, que, como disse o secretário de Estados dos EUA, Mike Pompeo, não quer saber dos chineses dando as cartas por aqui, especialmente, sob coordenação do PC da China, em meio à guerra comercial com os americanos.

Nesse contexto, a desmoralização dos militares se acentuou, ao longo dessa semana. Ficou clara a desconsideração explícita praticada pelo presidente Bolsonaro em relação ao general Pazuello, ministro da Saúde, no caso da compra da vacina Coronavac, fabricada pelos chineses. Trump considera a China quem espalhou o tal do vírus chinês, para fabricar vacina e ganhar a liderança mundial, no campo da saúde. Imediatamente, Bolsonaro, tomando as dores de Trump, melou o negócio da compra, por Pazuello, de 46 milhões de doses da Coronavc, do Instituto Butantã, parceiro na Sinovac. Bolsonaro passou tremendo sabão no general ministro, o que teria deixado a cúpula militar, no Apache, puta da vida. O negócio ainda está quente, apesar de Bolsonaro ensaiar teatro de reconciliação que tem por trás irritação profunda dos verde-oliva.

DISCÓRDIA GERAL SOBRE 5G

Também, está fervendo discórdia entre o presidente e o seu vice general Mourão, relativamente, ao 5G. Bolsonaro diz que quem manda é ele e que não deixará a Huawei, gigante chinesa, participar do leilão, para vender tecnologia no Brasil. Falou isso diante do enviado de Trump, Robert O’Brien, ao passo que Mourão e os militares que estão com ele defenderem posição de independência do Brasil na negociação dessa plataforma tecnológica. Tanto no lance da vacina Coronavac, como do 5G, evidenciam-se posicionamentos políticos-ideológicos-fundamentalistas levantados por Bolsonaro, para preservar interesses, não brasileiros, mas, sim, norte-americanos. Soma-se a essa subserviência bolsonarista aos Estados Unidos a pressão americana que exige relação comercial com o Brasil sem que haja reciprocidade de interesses bilaterais. Mourão está incomodando tanto Bolsonaro que, nos bastidores, emergem notícias de que o vice general está, com seu partido, PRTB, descartado quanto a ser, na próxima eleição, aliado de Bolsonaro na chapa presidencial. Mourão estaria sendo rifado pelo Centrão, que quer a vaga dele. Por isso, ele, que tomou gosto pelo poder, cogita sair candidato ao Senado ou ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022.

SALLES ATACA GENERAL FOFOQUEIRO

Outra desavença que avança celeremente é o confronto entre o general Luís Eduardo Ramos, coordenador do governo, com o ministro do Meio Ambiente, o passa boiada Salles. Aliado do agronegócio, que quer tratorar a Amazônia e o Pantanal, custe o que custar, Salles puxou a orelha do general Ramos e mandou ele parar de executar seu papel de "Maria Fofoca", relativamente, aos assuntos ambientais, atrapalhando a jogada dele, de Salles, de botar fogo na floresta, para abrir espaço à soja e aos mineradores de ouro, de nióbio, de diamante e níquel no continente amazônico. Ora, Ramos é homem da articulação política com o Congresso e interlocutor do Centrão, sem o qual Bolsonaro não governa. Nesse momento, o Centrão quer, mesmo, é ganhar a eleição municipal e se credenciar para eleição presidencial de 2022. A questão ambiental ganhou conteúdo político e o governo, com Salles, no comando do Meio Ambiente, perde voto para a esquerda, na disputa eleitoral, apoiada pela consciência internacional, interessada em intervir na Amazônia. Essa possibilidade cresce, depois das declarações de Joe Biden, prometendo ser proativo nesse sentido, se derrotar Trump.

Os generais têm a Amazônia como algo que cabe a eles cuidar com exclusividade. Entendem que a excessiva flexibilidade quanto a tocar fogo na floresta, por parte de Salles, assanhou a cobiça internacional no continente amazônico, fragilizando a posição do Brasil nos fóruns mundiais.

PRO-BRASIL SOB ATAQUE NEOLIBERAL

Como os generais Mourão, Pazuello e Ramos, outros dois generais da sala e cozinha de Bolsonaro estão sob mira dos neoliberais, na sua ânsia de acelerar o entreguismo nacional: Braga Neto, da Casa Civil, e Augusto Heleno, do setor de inteligência, no comando da Abin. Braga está incomodadíssimo com a política ultraneoliberal de Guedes, que não dá espaço para o projeto Pró-Brasil, de caráter desenvolvimentista, visando tocar prá frente obras de infraestrutura. Estas, como se sabe, estão barradas pelo teto de gasto, caro aos interesses do mercado financeiro, que manda no Banco Central e na política econômica neoliberalizante. Tudo se radicaliza, ainda mais, com avanço do mercado financeiro sobre o Congresso para votar projeto que torna BC independente, ou seja, o mercado no comando supremo. Para o rentismo, tudo; para os desenvolvimentistas, que Braga busca representar, nada; só sobra prá ele merreca de dinheiro, para tapar buraco de estradas pelo país afora.

Por fim, o general Augusto Heleno sofre carga dos adversários, no Congresso, da situação e da oposição, quanto a sua propensão obsessiva de xeretar a vida da sociedade civil por meio da Abin, jogando nela os espiões do governo, ao lado da Polícia Federal, que, na prática, comanda do seu posto governamental. Heleno, nesse instante, enfrenta denúncia, no Supremo Tribunal Federal, com o qual Bolsonaro quer se acomodar para resguardar vida dos seus filhos, ameaçados pela justiça.

Do alto do comando do Exército, o general Edson Leal Pujol, assiste à desmoralização dos generais da reserva, serviçais do capitão presidente, que está tratando-os com casca e tudo, para se dar bem com Trump. O temor de Pujol é que, no cenário de desemprego em alta e de economia em baixa, seus aliados verde-olivas virem bodes expiatórios na debacle política bolsonarista. Esta poderá se expandir, se Paulo Guedes, com a força do mercado financeiro, barrar o auxílio emergencial de R$ 600, que aumentou popularidade do presidente no mercado eleitoral, tanto para 2020, na eleição municipal, como para 2022, na sucessão presidencial. Se a bancocracia financeira forçar, com seu poder, o Congresso a reduzir o Auxílio para R$ 300, Bolsonaro dança.

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