Bolsonaro doido para invadir a Venezuela. Os generais deixarão?

Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia, lembra que a Constituição Brasileira, ao contrário do que anunciou Bolsonaro sobre a Venezuela, "reza o seguinte: para o presidente declarar guerra é preciso a anuência do congresso Nacional. Ponto"; "Fora disso, só se o governo assumir de vez seu caráter de exceção e seu presidente rasgar a Constituição e tornar-se um ditador de verdade. Mesmo agindo na aba do presidente dos EUA, Donald Trump, Bolsonaro não deve ter força suficiente para tanto", escreve o colunista

Bolsonaro doido para invadir a Venezuela. Os generais deixarão?
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Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - O atual presidente da República pensa e externa, como ponto pacífico, que para o Brasil entrar em guerra contra outro país, no caso contra a Venezuela, basta a vontade do seu presidente e nada mais. Sua assessoria desastrada e, possivelmente, o zumbido que lhe ensurdece os ouvidos vindo diariamente dos seus três filhos, cada um mais especialista no nada que o outro, devem lhe dar essa certeza.

Jair Bolsonaro pode achar que essas coisas não valem nada, até porque age pensando assim, mas o Brasil tem uma Constituição. É nada menos que a Constituição Cidadã, entregue simbolicamente à Nação e batizada com este nome por ninguém menos que Ulysses Guimarães. E essa Carta, a mais importante peça jurídica e política do País, reza o seguinte: para o presidente declarar guerra é preciso a anuência do congresso Nacional. Ponto.

Fora disso, só se o governo assumir de vez seu caráter de exceção e seu presidente rasgar a Constituição e tornar-se um ditador de verdade. Mesmo agindo na aba do presidente dos EUA, Donald Trump, Bolsonaro não deve ter força suficiente para tanto. Ser ditador no sentido clássico da palavra é, para ele, mais um sonho que propriamente uma iminência.

A declaração estapafúrdia de um capitão do Exército Brasileiro não deve encontrar guarida nos generais que compõem, hoje, um núcleo importante e até agora coeso do governo. Tudo bem que o capitão, no momento, ocupa o posto de presidente da República e, por conseguinte, o título de comandante-em-chefe das Forças Armadas. Mas isto será mesmo levado em conta na hora do vamos ver? Os generais baixarão a cabeça e entrarão numa aventura bélica sonhada pelo capitão?

A derrubada do governo legitimamente eleito de Nicolás Maduro é uma meta traçada pelos Estados Unidos e prontamente abraçada por uma América Latina que hoje está curvada e de quatro diante do Império do Pato Donald. O Brasil encabeça o ranking da servilidade. Para isto, Bolsonaro nomeou ministro das Relações Exteriores um dos seus quadros mais bizarros e inacreditáveis, o "olavete" Ernesto Araújo.

Bolsonaro, Araújo e Olavo de Carvalho – o conselheiro por detrás de patetadas que o governo brasileiro expele e transforma o Brasil em vexame diante do mundo -, esses têm certeza de que o golpe de Estado já foi dado na Venezuela e que a queda de Maduro é questão de horas. E não estão sozinhos nessa ilusão.

Quem assistiu ao Jornal Nacional na noite desta terça-feira (30), e limitou-se às "informações" que colheu na Globo, foi dormir com a certeza de que Juan Guaidó não assumiu o governo porque estava sem terno para a posse. A resistência, vitoriosa, do governo venezuelano ao golpe de estado orquestrado pelos EUA e secundado pelo Brasil de Bolsonaro, isto não foi ao ar.

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