Bolsonaro e o fuzilamento de uma Nação

"Nunca na história deste país, como diria o ex-presidente Lula, um governo investiu tanto na cultura da morte, da exclusão social e do rebaixamento do grau civilizatório de nossa sociedade como o de Bolsonaro", avalia Florestan Fernandes Júnior, Jornalista pela Democracia, ao fazer um balanço dos estragos provocados pelo governo de Jair Bolsonaro; "Felizmente a sociedade começou a se mobilizar. Na próxima quinta-feira, dia 30, os estudantes prometem uma nova manifestação colocando milhões de pessoas contra os ignorantes que estão hoje à frente do governo"

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Bolsonaro e o fuzilamento de uma Nação
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Por Florestan Fernandes Júnior, para o Jornalistas pela Democracia

Nunca na história deste país, como diria o ex-presidente Lula, um governo investiu tanto na cultura da morte, da exclusão social e do rebaixamento do grau civilizatório de nossa sociedade como o de Bolsonaro. Os gestos de arminhas com as mãos, até de criancinhas, ganham contornos nada lúdicos. Eis o conjunto da obra de cinco meses de administração do novo governo:

No meio ambiente foram liberados indiscriminadamente dezenas de agrotóxicos com alto potencial cancerígeno. O pequeno produtor rural teve suspensa as verbas para a agricultura familiar. Já os latifundiários foram beneficiados com a neutralização do papel do IBAMA na aplicação de multas ambientais.

O filho 01 apresentou projeto de lei para acabar com reserva legal em propriedades rurais, uma medida absurda que, se aprovada, irá destruir a flora e a fauna brasileiras e ter um impacto ambiental tremendamente negativo, principalmente na região amazônica. O ataque a agenda global de sustentabilidade não para por aí, pondo em risco também a participação do Brasil no Acordo de Paris.

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Em tempo recorde, Bolsonaro apresentou projeto de lei liberando o porte de armas para mais de 19 milhões de pessoas. Segundo os especialistas, armar o cidadão é um fator de risco para a sociedade, com a certeza do aumento de mortes violentas.

Recentemente Bolsonaro provocou juristas brasileiros ao prever impunidade para fazendeiros que matarem invasores. Algo parecido com a proposta do pacote "anticrime" do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que prevê a redução ou até nulidade da pena para policiais que cometerem assassinatos por estarem sob medo, surpresa ou violenta emoção. A política de ampliação da repressão em curso no país resultou em aumento de 15% no número de pessoas mortas por policiais em serviço apenas no Estado de São Paulo.

Em abril passado, Bolsonaro extinguiu conselhos e outros órgãos colegiados responsáveis por políticas públicas importantes, como o Conselho Nacional da Erradicação do Trabalho infantil e o Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência. Ao retirar a participação popular nas decisões de governo, Bolsonaro exibe sua fase autoritária e a falta de compromisso com as questões fundamentais da cidadania, como as políticas afirmativas das cotas e da preservação dos direitos das comunidades indígenas e quilombolas.

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O atual governo praticamente inviabilizou o "Mais Médicos" com a saída dos cubanos do projeto, o que levou milhares de pessoas a ficarem desassistidas nas cidades mais pobres do país.

E não para por aí: se aprovada como está, a proposta de Reforma da Previdência colocará em risco a aposentadoria (e a sobrevivência) de milhões de trabalhadores. Nem o maior inimigo de uma Nação teria uma agenda tão criminosa e destrutiva. Felizmente a sociedade começou a se mobilizar. Na próxima quinta-feira, dia 30, os estudantes prometem uma nova manifestação colocando milhões de pessoas contra os ignorantes que estão hoje à frente do governo.

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