Bolsonaro quer a volta da escravidão

O eleitor do Bolsonaro, assalariado, que não vive do rentismo e nem tem helicóptero, será o primeiro na fila do abate. Sentirá o cantar do chicote nas costas, num retorno claro aos tempos escravistas

Bolsonaro quer a volta da escravidão
Bolsonaro quer a volta da escravidão (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A declaração do Bolsonaro. publicada na edição desta quinta-feira (13) da Folha de S. Paulo, não poderia ser mais chocante para o trabalhador minimamente esclarecido. "No que for possível, sei que está engessado o artigo sétimo [da Constituição], mas tem que se aproximar da informalidade", disse em encontro fechado com deputados do DEM. Tirar o gesso do artigo 7° da Constituição é extinguir o que ainda resta de direitos trabalhistas depois da destruição iniciada pelo presidente golpista Michel Temer.

Bolsonaro está de olho nas férias e no décimo-terceiro salário do trabalhador. Acredita que estes dois pontos são um fardo difícil para o empresário carregar. Até porque Bolsonaro afirmou na mesma reunião que "ser patrão no Brasil é um tormento" diante de tantas obrigações que precisa ter para com seus empregados.

Para isso, está disposto a brigar com os trabalhadores. Não foi por falta de aviso. Durante a campanha eleitoral afirmava que o trabalhador precisa escolher entre emprego e os direitos. O eleitor do Bolsonaro, assalariado, que não vive do rentismo e nem tem helicóptero, será o primeiro na fila do abate. Sentirá o cantar do chicote nas costas, num retorno claro aos tempos escravistas.

Aproximar as leis trabalhistas da informalidade é a volta da escravidão. Sem qualquer direito, servirá apenas de enchedor de linguiça, apertador de parafusos à lá "Tempos Modernos" e, espremido ao máximo, será abandonado pelo Estado. Sabe por quê? Porque a informalidade pressupõe a não contribuição para a Previdência, não estimula a geração de impostos e com patrões livres de encargos e tributos, a tendência é de um Estado falido, socialmente inútil e incapaz de proteger seus cidadãos.

O trabalhador voltará ao subjugo do patrão impiedoso, que passará a utilizar a sua régua para medir a exploração, não a aquela determinada pelo Estado (afinal, quanto mais informal melhor).  

Por isso, um outro alvo será necessário fazer tombar: o Ministério Público do Trabalho. Bolsonaro garantiu que vai "resolver este problema" e que "não dá mais para continuar quem produz sendo vítima de uma minoria, mas uma minoria atuante". Dá perceber bem para quem o presidente eleito vai governar. E não será para os 210 milhões de brasileiros, como afirmou em sua diplomação.

O MPT reagiu, através do procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, na edição desta quinta-feira (13) à Folha de S. Paulo: "Quando a gente busca com que uma empresa siga a lei trabalhista, a gente garante a elas uma igualdade de tratamento, evitando, por exemplo, que uma empresa consiga reduzir muito seu custo de produção em detrimento de outras. A não atuação do MPT permitiria, por exemplo, o trabalho escravo."

Governantes antipovo sempre apontaram suas miras para o trabalhador. Não faz muito tempo que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que a Justiça do Trabalho não deveria sequer existir e que os direitos dos trabalhadores são os fatores principais dos altos índices de desemprego no país.

Evidente que isso é uma falácia. O ex-presidente Lula emplacou níveis de pleno emprego no Brasil, sem mexer na CLT, preservando todos os direitos do trabalhador. Mais que isso, valorizou os salários, sobretudo o mínimo.  

Lembremos que as discussões que antecederam os governos petistas tratavam da impossibilidade do salário mínimo alcançar os 100 dólares, quando estava em 70 dólares. Lula apresentou um olhar diferente e o mínimo chegou a 300 dólares.

Tudo evidentemente mudou após o golpe da presidente Dilma Rousseff.  E culmina com sua continuidade, a escolha viciada da aberração gestada  a partir do antipetismo: Jair Bolsonaro.

Por isso, se você é trabalhador e votou no Bolsonaro, lembre-se que estará a um passo de voltar à escravidão, oferecendo sua força de trabalho apenas para garantir o feijão e o leite das crianças. Sem direito de sonhar, sem férias, nem festas de fim de ano.

Você será apenas uma engrenagem para fazer funcionar a Corte e a elite. Acostume-se à vida de escravo que você tanto quis.

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