Bolsonaro vive um paradoxo: a introdução do fim

"Não dá para saber o que soou pior: a agressão covarde de um presidente da República a uma jornalista no legítimo exercício da função ou os aplausos expelidos por um bando de idiotas inúteis em pleno exercício da bajulação", diz Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "Bolsonaro vive o começo do fim. Seu governo se esvai"

Bolsonaro vive um paradoxo: a introdução do fim
Bolsonaro vive um paradoxo: a introdução do fim (Foto: Adriano Machado - Reuters)
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Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

Não dá para saber o que soou pior: se a agressão covarde de um presidente da República a uma jornalista no legítimo exercício da função ou os aplausos expelidos por um bando de idiotas inúteis em pleno exercício da bajulação. A cena ocorrida em Dallas, Texas, manchou de vez a passagem de Jair Bolsonaro pelo seu país, os Estados Unidos. Lá, ele estava com uma comitiva inútil de 10 “autoridades”, numa viagem extraoficial, para receber um prêmio suspeito, sem ter sido convidado. Todos largados, sem cicerone, comendo em lanchonete. Um constrangimento sem igual.

A cena com a jornalista ocorreu quando ela fez uma pergunta simples, lógica e serena. O problema é que nenhum desses três adjetivos combinam com Bolsonaro, um ser que não sabe se portar no cargo que, eventualmente, ocupa. Talvez porque nunca tenha, na vida, sonhado em ocupá-lo. Como de resto, ninguém com bom senso.

Bolsonaro criticou o jornal da repórter, a Folha de S.Paulo, por contratar, segundo ele, gente sem capacidade para o exercício da profissão e que “só pergunta besteira”. De imediato, alguns dos integrantes do convescote saíram em socorro do patrão, com gritinhos e palminhas. Palmas para quem reclama de quem “pergunta besteira”, embora seja especialista neste tipo de empreitada.

Foi mais um dos constrangimentos a que o presidente submeteu o país nessa viagem maluca. Já havia sido barrado em Nova Iorque e teve que adotar um Plano B, no Texas. Lá ele fez de tudo, no melhor estilo bolsonariano. Bateu continência à bandeira norte-americana, soltou loas de amor à mesma Nova York que não quis vê-lo nem pintado. E ainda trocou Deus pelos Estados Unidos no slogan de seu governo, aquele que pegou emprestado das lideranças evangélicas, que não gostaram muito dessa substituição.

No outro extremo do continente, os brasileiros mandavam um recado claro ao presidente e ao seu governo confuso, errático, truculento e entreguista. Estudantes, professores, profissionais de várias áreas, desempregados, aposentados gritavam nas ruas que o prazo de validade do bolsonarismo está se expirando. O mote foi a Educação, setor tocado por um ministro que está ali como o seu chefe está no comando da Nação. Sem dom algum.

Mas, pelo porte dos atos realizados de norte a sul do País, a população parece ter acordado para o conjunto da obra de um governo que, com menos de cinco meses de existência, já pede para sair. Não há um só setor que apresente qualquer resultado positivo ou perspectiva de. Um governo envolvido com denúncias que vão da corrupção ao envolvimento com milicianos. Um governo em que o filho do presidente é acusado pelo ministério Público de chefiar organização criminosa, que o ministro do Turismo é acusado de comprar eleição criando candidata laranja e que o ministro do Meio Ambiente é condenado por crime ambiental.

As manifestações em defesa da Educação e contra Bolsonaro mostraram que os brasileiros, ao contrário do ministro da Justiça, estão vendo muito bem o que está acontecendo. E não estão aprovando.

Por pensamentos, palavras e, sobretudo, atos, Bolsonaro vive o começo do fim. Seu governo se esvai.

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