Bolsonaro volta atrás para conquistar Kassab e isolar Alckmin de Lula

"Não é à toa que pululam notícias de debandada dos empresários de pequeno porte, antes ligados a Bolsonaro, rumo a Lula e a Alckmin", escreve César Fonseca

www.brasil247.com - Alckmin e Lula
Alckmin e Lula (Foto: Stuckert)


Por César Fonseca 

Como todos sabem, o homem forte, politicamente, junto aos empresários de pequeno porte, às microempresas, ligados às associações comerciais de todo o país, é o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que espera, no seu partido, a incorporação de Alckmin, ex-PSDB, pré-aliado de Lula, disparado nas pesquisas; no governo, na Fazenda, o homem ligado a essa categoria social que representa mais de 70% da oferta de emprego no país e mais de 35% do PIB é o braço direito de Paulo Guedes, o empresário e ex-presidente da poderosa Associação Comercial de São Paulo e do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos; foi, justamente, para atrair as micro e pequenas empresas ao governo Bolsonaro que Guedes levou Afif para a Secretaria da Pequena Empresa, na Fazenda; refazia, desse modo, com o empresário paulista, a dobradinha que formaram em 1989, quando Afif, pelo PL, disputou a presidência da República, tendo Guedes como candidato à Fazenda.

MANCADA BOLSONARISTA

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Mas, agora, o vento virou; o veto, na semana passada, de Bolsonaro, ao Refis para as microempresas em catástrofe, principalmente, depois da pandemia, azedou clima entre elas e o chefe do Planalto; está russa a relação Bolsonaro-microempresas e, portanto, com Afif, porta-voz delas no poder, em estreita ligação com Kassab-PSD-Associações Comerciais etc; apavorado com a rebelião que lhe tira votos decisivos na disputa com Lula, Bolsonaro volta atrás no veto que, desastradamente, determinou à categoria representativa da verdadeira base social da economia e corre atrás do prejuízo para que o Congresso derrube o seu próprio veto; incrível tal trapalhada política bolsonarista!; para quem apelar? 

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SOCORRO DO CENTRÃO

Certamente, Bolsonaro, mais uma vez, terá que se humilhar para o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira(PP-AL), principal líder do Centrão, de modo a livrá-lo dessa tremenda enrascada;  ganha novo espaço de poder o deputado Lira, que levou todas as vantagens, nas demandas que negociou com Bolsonaro, em 2021, sendo a principal e mais relevante delas, a que criou Orçamento Secreto, comandado pelo Legislativo, submetendo o Executivo à vontade da nova espécie de Parlamentarismo, que grassa no Congresso, sujando o poder republicano; 

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LULA COLHE OS LOUROS 

Com pressa para resolver a questão e dispor do apoio de Kassab, do PSD, para dificultar a relação Alckmin-Lula, que cooptaria, com essa jogada errada bolsonarista, apoio dos micros e pequenos empresários nacionais, o presidente da República, se pudesse, suspenderia, imediatamente, o recessão do Congresso, a fim de resolver essa parada já; enquanto isso não ocorre, cresce o desgaste político dos aliados do presidente, por verem, desesperados, engordar a base lulista; não é à toa, portanto, que pululam, em todo o pais, notícias dando conta da debandada dos empresários de pequeno porte, antes ligados a Bolsonaro, rumo a Lula e a Alckmin; com quem, nesse contexto de desgate com as microempresas, financeiramente, sufocadas, ficarão tanto Kassab como Afif Domingos?

FINANCEIRIZAÇÃO DESTRÓI MICROEMPRESAS

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No primeiro momento do impacto da pandemia no novo coronavírus, os empresários de pequeno porque correram a Bolsonaro para se salvarem; o presidente determinou a Guedes liberação de quase R$ 500 bi para eles; o dinheiro ficou empossado nos bancos, que não emprestaram por temer calotes diante de uma categoria esfolada pela crise de consumo que avançou com o desemprego e queda do poder de compra dos consumidores; na sequência, liberou quase R$ 3 trilhões para o mercado financeiro liberar recursos aos segmentos econômicos em geral, comércio, serviços e indústira; novamente, os bancos empossaram o dinheiro e correram para comprar títulos do tesouro nacional; protegeram-se na financeirização econômica, na especulação com o endividamento público, enquanto o setor real da economia mergulhou na recessão e nela se encontra no momento; Bolsonaro, sob pressão, ativou o Refis, mas, em seguida, vetou sua própria decisão; agora quer ver derrubado seu veto pelo Congresso como medida de salvação; sem dúvida, é o pior presidente da história do Brasil, quando deixa no sufoco e na destruição a verdadeira base social da economia brasileira.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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