Bruno e Dom: legado e consequências internacionais

A Amazônia precisa de boa governança, sob o risco de o Brasil ter sua soberania sobre a área questionada internacionalmente

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(Foto: Divulgação/Funai/Arquivo | Reprodução Twitter/@domphillips | Ricardo Lima/Reuters)


Há muito tempo venho advertindo que a Amazônia precisa de boa governança, sob o risco de o Brasil ter sua soberania sobre a área questionada internacionalmente.

Os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips - a forma bárbara e hedionda em que essas mortes ocorreram, a certeza que esses crimes estão diretamente ligados às ações criminosas que ocorrem no Vale do Javari, como narcotráfico, garimpo e contrabando de produtos dos rios e da floresta e que isso ocorre em total descontrole e impunidade - colocam a governança brasileira em xeque, mais uma vez, e agora de forma indefensável.

Não é um fato isolado. São ações contínuas que já culminaram em outras mortes, outras denúncias, invasões de garimpeiros em terras indígenas, sendo denunciados quase que diariamente, violência, estupros e o roubo de riquezas que poderiam estar servindo para melhorar a vida das pessoas que vivem na Amazônia, se houvesse políticas sérias, fiscalização, controle, combate ao crime e punição.

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Controle, combate e fiscalização? Como, se os órgãos responsáveis por isso vêm sofrendo desmanches inconsequentes ao longo dos últimos anos, perdendo recursos financeiros e humanos? Todos os órgãos diretamente ligados às questões ambientais, indígenas e de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que já não atuavam de maneira eficaz em sua totalidade, mas funcionavam com mais precisão, estão à míngua e sem pessoal suficiente.

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A violência na Amazônia explodiu, de forma exponencial. Na semana passada, a Pastoral da Terra divulgou um caderno revelando dados escabrosos, entre eles o aumento de 1.100% nas mortes em consequência de conflitos no campo, com 109 mortes registradas em 2021, 101 delas ocorridas em território Yanomami, em Roraima, em conflito com garimpeiros. 

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São estatísticas que escondem histórias, a maioria não investigadas. Com o caso Bruno e Dom o Brasil não abriu uma porta para a repreensão internacional, abriu uma porteira, ainda não dimensionada e que poderá trazer gravíssimas consequências para o país como um todo. 

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