Cevando a porca

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Preocupante o silêncio e a reclusão temporária do nazista que ocupa a presidência da República. Não é para ser comemorado o recuo da violência explícita contida nos insultos diários por todos os meios, sejam os sociais, televisão ou rua. Estamos sem informação do que vem sendo urdido nos bastidores para o alcance do objetivo sempre anunciado de mudança do regime democrático liberal burguês para a tirania que governa para os seus, cria inimigos com a finalidade de eliminação dos mesmos e transforma as então instituições democráticas em fachadas que darão feição legal a toda sorte da brutal arbitrariedade que é a prática usual dos tiranos para a garantia da manutenção do Poder.

A preocupação pode parecer loucuras de Cassandra, a sacerdotisa troiana que pediu muito ao pai para não aceitar o presente do grego Ulisses, mas o rei Príamo julgou ser mais uma das alucinações da filha que teve o dom de ouvir longe amaldiçoado pelo deus Apolo porque ela não quis dormir com ele. A autonomia da moça lhe valeu o tormento de ninguém dar crédito ao que dizia, sobretudo quando anunciava as tragédias que lhe eram sopradas de alhures. Aqui não há sopro nem Cassandra. O que se tem é a arquitetura dos fatos passados e presentes que levam a desconfiar que o Cavalão do Planalto está se abastecendo da sua mais pesada artilharia miliciana e terrivelmente evangélica, pronta para desembarcar no momento em que a centro direita e a direita, junto com um tanto da centro esquerda, achar que botou a esquerda para correr, leia-se PT, e limpou o terreno do campo de batalha para proclamar sua vitória. Cairão como Tróia, porque não querem enxergar nem escutar os ecos do nazifascimo.

Impressiona a indiferença do PSDB no que diz respeito ao Brasil e seu povo mais vulnerável. O caráter autoritário desse poleiro tucano é responsável pela tragédia que vem acossando o país. De democrático só tem a pose dos homens de terno e mulheres de tailleur que confundem e inibem os de vestimentas simples. Esse partido perdedor de eleições tem aversão ao direito do cidadão de escolher seu governante. Vive do expediente do golpe. Por todas as ilegalidades e falcatruas condenou sem provas e persegue o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então preferido das gentes. Teve atuação de protagonista na cena do impeachment que tungou os 54 milhões de votos dados à presidente Dilma Roussef e serviu de palco para o nazista dedicar seu voto a favor ao único torturador oficialmente reconhecido e condenado. Não era para ser assim, mas é o que é. Brincou com a democracia porque são democratas de ocasião. Deu nisso. Um isso que agora quer desfazer porque se tocou que o nazifascismo não gosta de liberal tanto quanto não gosta da esquerda. Pelos liberais, tem desprezo, considera um bando de frouxos. Pela esquerda, tem medo e inveja da firmeza dos propósitos.

No acordão que parece estar desenhado, a estratégia da tucanalha é fabricar um candidato que possa disputar e ganhar a presidência em 2022. Como não há limite para o cumprimento da meta, a ordem é deixar o tirano seguir no Poder até o termino do mandato. Caladinho e pretensamente tutelado pelo círculo militar que empresta a aparência de seriedade ao governo e forma a sua retaguarda, porque é o que o momento pede com a prisão do Queirós que ameaça seu filho senador e o inquérito das fake News que atinge de proa seu filho vereador. Enquanto isso, o Brasil se esvai em mortos pela pandemia, quase 60 mil, e outros muitos quebram o isolamento do vírus se lançando às ruas para levar comida para casa, cumprindo o dilema do ‘se correr o bicho pega se ficar o bicho come’.

Antes do final deste longo ano de 2020, o Supremo Tribunal Federal terá um ministro ‘terrivelmente evangélico’ e a Câmara escolherá o novo parlamentar que presidirá a casa. A ver o que virá. Mas nada disso importa aos golpistas de bico comprido que mais uma vez contribuem para arrebentar o país. Até 2022, nas noites do planalto central, a porca será cevada pelos nazifascistas para ser servida no banquete adiado e com o qual tanto sonham legitimar de vez nas urnas. Assim, também mais uma vez, caberá à esquerda a luta para desservir a possibilidade da refeição macabra da qual estamos tendo uma prova no aperitivo.

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