Ciro Gomes imita José Serra em 2002

"Ciro trocou um belo futuro político pela lata de lixo da história", escreve Eduardo Guimarães

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Ciro Gomes (Foto: Reprodução/Twitter/@cirogomes)


Por Eduardo Guimarães 

O ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, então com 57 anos, foi eleito presidente do Brasil em 2002 com 61,3% dos votos válidos, contra 38,7% de José Serra, tornando-se o primeiro candidato de esquerda a vencer uma eleição presidencial no país. Ciro Gomes, na eleição deste ano, recorre a estratagema constrangedor usado pelo tucano duas décadas atrás. 

Em 2022, Lula volta a disputar uma eleição em que seus adversários fazem discurso do medo contra sua ascensão ao Poder. Até Regina Duarte, que em 2002 ganhou o apelido jocoso de "Apavoradinha do Brasil" por ter feito um discurso, na iminência do segundo turno daquele ano, alegando "medo" da eleição de Lula, voltou, há algumas semanas, a dizer que continua com "medo" de o petista se eleger. 

O que justifica que ela repita sua declaração de vinte anos atrás? Nada. Os dois governos Lula foram um sucesso de crítica e público. Exaltado nos quatro cantos do planeta por suas gestões entre 2003 e 2010, Lula melhorou o Brasil, naqueles dois mandatos, de forma impressionante, terminando a eleição com 87% de aprovação. 

A pobreza e a miséria perderam milhões de vítimas, a imagem do Brasil se projetou no mundo como um país responsável, maduro e cumpridor de seus compromissos internacionais, ganhando o selo de economia bem administrada concedido por TODAS as agências internacionais de classificação de risco. O Brasil de Lula chegou a emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional, que, nos governos anteriores, nos emprestava dólares enquanto nos exigia medidas draconianas na economia que esmagavam os mais pobres, tais como juros altos e economia dos gastos públicos na Saúde, na Educação e nos programas sociais. E, de quebra, Lula acabou com as eternas crises cambiais que açoitavam o país deixando TREZENTOS BILHÕES DE DÓLARES no caixa -- e seus adversários dizem que ele roubou e quebrou o Brasil...

Mas um fato ocorrido na reta final desta campanha à Presidência, remeteu este que escreve a uma viagem no tempo. Na reta final do segundo turno, Lula estava muito à frente de José Serra. O Datafolha, então, deu Lula com 64% dos votos válidos, 28 pontos à frente de Serra. 

Eis que o tucano tenta uma última cartada. Propaganda de Serra anuncia um misterioso "pronunciamento importante" na reta final da eleição. A propaganda foi feita com alguns dias de antecedência e mostrava uma cadeira imponente e vazia, como se fosse a cadeira do presidente, só aguardando o tal "pronunciamento". Havia um carater oficialesco naquilo. 

E, não, não era nada. Não passava de uma tentativa de manipular o eleitor. O tal pronunciamento resumiu-se a mais do mesmo, ao discurso do medo de Regina Duarte contra Lula, feito naquele 2002 e refeito agora. Com base em droga nenhuma. O PT jamais havia governado o país e Lula garantira, em documento público, que seu governo não traria surpresas. Foi a "Carta ao Povo Brasileiro". 

Agora, duas décadas depois, um outro candidato que não consegue enxergar nada além do próprio umbigo incorre na mesma estratégia infantil de aplicar um passa-moleque no eleitorado anunciando mais um "pronunciamento importante" à véspera da eleição para repisar os velhos argumentos de campanha e pedir "voto útil" em si mesmo. 

Em tom de mistério, Ciro Gomes anuncia “importante pronunciamento à nação”.  Candidato à Presidência pelo PDT fez o anúncio nas redes sociais, neste domingo 25. O tal pronunciamento, no entanto, é apenas um patético chamado a que dezenas de milhões de brasileiros mudem intenções de voto em seu benefício, chamando isso de "voto útil"

Ciro Gomes dará seu último suspeiro político em alguns dias. Terá a menor votação em uma eleição presidencial desde que disputou pela primeira vez o cargo de presidente da República. Apesar de julgar que está semeando uma volta por cima em 2026, está atraindo antipatia da esquerda e escárnio de uma direita, que jamais lhe dará votos

Ciro é repudiado amplamente no seu próprio partido. Fila extensa de eleitores eminentes que votaram nele no passado ou que o apoiavam até recentemente declara voto em Lula. A novata Simone Tebet está a um passo de ultrapassá-lo e é grande a chance de teminar o 1o turno à sua frente. Ciro trocou um belo futuro político pela lata de lixo da história.

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