Coisas do Supremo

Justiça seja feita à capacidade de trabalho do nosso guardião Supremo. Quando necessário, suas portas foram devidamente abertas duas vezes, em plena madrugada para uma ação elogiável: Libertar um ilustre representante de nossa elite, condenado, vejam vocês, por um juizinho de primeira instância. Onde já se viu!  

Estátua da Justiça do lado de fora do prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília 07/04/2010 REUTERS/Ricardo Moraes
Estátua da Justiça do lado de fora do prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília 07/04/2010 REUTERS/Ricardo Moraes (Foto: Sebastião Costa)
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Era uma vez uma Suprema Corte com a suprema autoridade de julgar os habitantes de um imenso país. Julgava pessoas do povo, da elite, da política

E tudo corria às maravilhas quando de repente, em meio à calmaria da rotina judiciária, um vendaval político invadiu o país e as fortes ventanias expuseram as supremas fragilidades daquela Suprema entidade.

E as críticas brotaram em profusão depois de mais uma vez livrar a cara do político de muitos aeroportos e propinas.

Mas, vamos com calma, precisamos ouvir a sabedoria do povo que vive a repetir que errar é humano. E olhe que lá são 11 humanos com muita manga pra errar

Portanto, nada de censuras àquela cochilada de 4 meses no processo do condutor-mor do golpe, que só foi julgado e condenado, aí sim, depois da rapaziada da Câmara, devidamente subsidiada com a lenha da FIESP e o querosene da JBS incinerar 54 milhões de votos.

E justiça seja feita à capacidade de trabalho do nosso guardião Supremo. Quando necessário, suas portas foram devidamente abertas duas vezes, em plena madrugada para uma ação elogiável: Libertar um ilustre representante de nossa elite, condenado, vejam vocês, por um juizinho de primeira instância. Onde já se viu!

Por falar em juiz de primeira instância, vale lembrar o mais famoso deles que, sem dar a mínima para o Supremo aboletou-se nas suas prerrogativas e grampeou a presidenta. Achou pouco e ainda praticou a violência jurídica de liberar a gravação, já arquivada, para a imprensa.

Aquela Suprema Casa, considerando a nobreza da ação - impedir o ex-presidente de ser Ministro, passou a mão na cabeça do juiz e ficou por isso mesmo. Aliás, a própria Corte Suprema complementou o ato, impossibilitando a posse do ex-presidente na esplanada dos ministérios

Nessa mesma linha, o gato angorá, vulgo Moreira Franco, virou réu nas delações Odebrechtianas e o nosso Supremo, mais uma vez foi chamado pra decidir o seu destino como ministro. 'Esqueceu' nobremente o caso do torneiro mecânico e dessa vez, conforme recomenda a justiça, pôs a venda nos olhos e não enxergou as propinas da construtora. (Fica a curiosidade de como deverá ser a convivência de um legítimo representante do mundo felino, em meio a tantos ratos)

Fale-se também do seu lado romântico. Foi de um gabinete da Corte Suprema que foi redigida uma sentença 'contra' o mesmo senador que, conforme a acidez de um amigo, "tava mais pra declaração de carinho"

E esse senador, vamos admitir, não se tem notícia na história recente da justiça brasileira de um político com tanto prestígio naquela Suprema Casa. Por muito e muito menos o seu colega do outro lado da linha política, sem qualquer conversa, foi sumariamente preso

A elite brasileira tem sua genética fincada nos senhores escravocratas que extraíram até a última gota de suor de nossos irmãos africanos.

Ela é também o substrato de políticas econômicas que determinaram a pornográfica concentração de renda do país.

Com o conservadorismo tacanho na cabeça e as riquezas do país nas mãos, as garras de seu poder atingem com força o mundo político e invadem com desenvoltura o poder judiciário

Essa realidade esteve presente na libertação do banqueiro, no prestígio do senador, na discriminação do torneiro mecânico, no golpe de 2016

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