Colapso bolsonarista levaria a novo confisco?

"As estratégias dos bancos centrais de emitir moeda para salvar os bancos, trocando dívidas velhas por dívidas novas, sem queimar aquelas, exportando inflação do centro para a periferia capitalista etc, colocam em polvorosa todo o mundo capitalista em colapso"

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Novo calote à vista? Arrependimento não seria aviso?

30 anos depois, o ex-presidente Collor pede desculpa pelo crime que praticou, levando vários poupadores ao suicídio. Mas estaria essa possibilidade descartada diante do colapso econômico-financeiro-pandemônico bolsonarista? Com a quebradeira geral das empresas e com os bancos se recusando a emprestar o dinheiro que o próprio governo repassa a eles para salvar, principalmente, trabalhadores desempregados, micro e pequenos empresários, ocorre debandada de detentores de ativos em geral para as contas correntes.

Estarão seguros aí?

Nunca.

Fogem da bolsa, dos títulos privados e, até, públicos, das poupanças etc, porque já não acreditam em nada. Dinheiro no caixa dos bancos está, como diz Paulinho da Viola, no seu grande samba, puro vendaval. A taxa de juros, caminhando para zero ou negativa, virou inimiga dos poupadores, especuladores e que tais. Há os que pulam para o ouro e até para o colchão, sacando dinheiro e levando para a casa.O desespero está batendo, não só por aqui, mas para todo o lado. Na Europa, diz a mídia, muita gente está preferindo a liquidez, colocando cachorro pitbull prá tomar conta no quintal.

Não há segurança de nada.

A China estaria comprando todo o ouro disponível no mundo.

Por que o governo Bolsonaro não estatiza as minas de ouro, já?

Teria condições ou não de lançar papel ouro ao portador?

Saída desastrosa

As estratégias dos bancos centrais de emitir moeda para salvar os bancos, trocando dívidas velhas por dívidas novas, sem queimar aquelas, exportando inflação do centro para a periferia capitalista etc, colocam em polvorosa todo o mundo capitalista em colapso.

Banqueiro está tendo insônia intermitente.

Febraban se lança em defesa dos seus associados pedindo socorro.

BC, em plena pandemia, deu a eles R$ 1,2 trilhão, para que possam trocar por títulos da dívida pública os títulos privados que têm em carteira, candidatos a apodrecerem. Sem consumidores para gastar, por conta da estratégia neoliberal de Paulo Guedes em plena bancarrota pandêmica, os bancos se desesperaram com o fantástico volume de títulos nos seus caixas que virarão pó. A estratégia de salvação dos bancos, porém, mostra-se incoerente e contraditória.

Afinal, se a economia continuar parada, as empresas dependuradas nos bancos vão, sem consumidores, sumir do mapa.

Adeus sistema federativo

Ficarão na mão os trabalhadores, micro e pequenos empresários e o sistema federativo como um todo. Sem arrecadação, estados e municípios já abrem o bico. A jogada do BC para salvar bancos com uma baba impressionante de dinheiro representa a condenação do sistema produtivo, que receberá menos de 10% do que é jogado no sistema financeiro.

Os banqueiros percebem a grande armadilha.

Como toda cidadania, instintivamente, foge para a liquidez, como se fosse salvação geral, bem como os banqueiros, também, buscam se safar, resistindo a emprestar, para não tomarem calotes, o horizonte é de pandemia e endemia econômico-financeira. Salvar os bancos, como faz o BC, deixando na chuva de canivete, trabalhadores, empresas, estados e municípios, é levar os depositantes à boca do caixa, para tirar o que tem lá. O que lhes espera, se não fizerem isso, é o confisco, repetindo o exemplo collorido. 

O pedido de perdão de Collor por ter confiscado há 30 anos a poupança popular é, na verdade, um aviso tenebroso.

Já, já, Bolsonaro, pressionado pela Febraban, pode segurar, no caixa dos banqueiros, o dinheiro da população.

Afinal, esgota-se, rapidamente, a capacidade do tesouro de continuar transferindo a eles o que pedem insistentemente: mais dinheiro, não emprestarem à produção e ao consumo, para girar economia, mas para continuar comprando títulos do governo, jogando-o no endividamento contínuo, suicida.

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