Com Guzzo e Nêumanne, Augusto Nunes caminha para o lixo da história

Jornalista Leandro Fortes critica a agressão do jornalista Augusto a Glenn Greenwald. "Augusto Nunes e José Roberto Guzzo, na Veja, e José Nêumanne Pinto, no Estadão, formaram um triunvirato de militantes do ódio contra as esquerdas, cada qual à sua maneira e tempo, enterrando as próprias biografias sob aplausos de idiotas", escreve Fortes

(Foto: Divulgação)

Por Leandro Fortes, para o Jornalistas pela Democracia 

Augusto Nunes, assim como José Nêumanne Pinto e José Roberto Guzzo,  faz parte de uma geração de jornalistas que se afogou no antipetismo,  basicamente, para agradar os patrões. Nunes e Guzzo, na Veja, e  Nêumanne, no Estadão, formaram um triunvirato de militantes do ódio  contra as esquerdas, cada qual à sua maneira e tempo, enterrando as  próprias biografias sob aplausos de idiotas que, até ali, jamais sequer  tinham tomado conhecimento da existência deles.

Nem eu nem nenhum  jornalista de minha geração poderíamos antever no que esse trio se  transformaria, embora muito de nós tenhamos trabalhado com eles. No meu  caso, fui subordinado de Augusto Nunes em quatro redações, em Brasília,  nos anos 1990 e início dos anos 2000: O Estado de S.Paulo, Zero Hora, Jornal do Brasil e revista Época. Nas duas últimas, tive mais  proximidade com ele. Em todas, pelo menos em relação a meu trabalho, ele foi correto e, quase sempre, incentivador de boas reportagens.

 Essa jornada comum atravessou três governos: Fernando Collor de Mello,  Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Naqueles tempos, de governos  liberais de direita – sobretudo Collor e FHC –, e sem redes sociais, não  havia conflitos nas redações, muito menos manifestações de ódio  político e de classe feito por jornalistas. Como sempre, sabia-se quem  era de esquerda e quem era de direita, mas ninguém sabia que, com os de  direita, como os prestigiados Nunes, Guzzo e Nêumanne, morava o demônio  do fascismo.

A chegada de Lula ao poder, nas eleições de 2002,  ativou muitas bestas feras, tanto no alto como na raia miúda das  redações, onde inofensivos puxa-sacos e repórteres medíocres, atiçados  pelo antipetismo, arreganharam os dentes diante da possibilidade de  rápida ascensão aos cargos internos. Em pouco tempo, transformaram o  antipetismo em uma doutrina de trabalho e, ato contínuo, em um meio de  vida.

É nesse quadro de bestialização do jornalismo que a velha  guarda, entre os quais, Nunes, Nêumanne e Guzzo, despontaram como  generais da infantaria fascistoide que iria dar o tom da baixaria e dos  insultos do colunismo brasileiro, ao longo dos 13 anos de governos  petistas.

Guzzo foi, recentemente, demitido da Veja, onde  mantinha um espaço de ódio e preconceito de classe, porque até a Editora  Abril se recusou a publicar um artigo no qual ele achincalhava o  Supremo Tribunal Federal. 

Nêumanne publicou, há poucos dias, uma  coluna onde diz haver “o dedo de Lula” no episódio de derramamento de  petróleo na costa do Nordeste. Nesse caso, não se trata apenas de uma  cretinice deu um jornalista em plena decomposição moral. É, antes de  tudo, a ação de um ser humano abjeto, capaz de fazer piada com a  condição física de outra pessoa.

Nunes, apoplético, agrediu o  jornalista Glenn Greenwald, ao vivo, durante um programa, na rádio Jovem  Pan – esgoto de antijornalismo que restou a ele em sua quadra final de  decrepitude profissional.

Marcados, até morrer, com a pecha de bolsonaristas, Nunes, Guzzo e Nêumanne caminham, juntos, para o lixo da História.

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