Comunicação não produz legitimidade

"Neste final de semana choveram notícias sobre a insatisfação do Governo e de governistas com a má comunicação governamental", diz a colunista Tereza Cruvinel, sobre a busca do Palácio do Planalto de um porta-voz para Michel Temer; "A comunicação do atual governo é mesmo sofrível mas não é com porta-voz e campanhas publicitárias que Temer vai resolver seu maior problema", diz a jornalista, lembrando que o ponto central é a falta de legitimidade; "E a percepção dela só vai aumentar, na medida em que Temer avançar na implementação da agenda que se propôs a executar para os que lhe deram o cargo com o golpe, especialmente para o PSDB"

Rio de Janeiro - RJ, 07/09/2016. Presidente Michel Temer e a Primeira-dama Marcela Temer durante cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Foto: Beto Barata/PR
Rio de Janeiro - RJ, 07/09/2016. Presidente Michel Temer e a Primeira-dama Marcela Temer durante cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Foto: Beto Barata/PR (Foto: Tereza Cruvinel)

Neste final de semana choveram notícias sobre a insatisfação do Governo e de governistas com a má comunicação governamental.  Soube-se que Temer está à procura de um porta-voz para melhorar a eficiência de seus comunicados e reduzir a algaravia de informações desencontradas entre seus auxiliares. Soube-se que até gostaria que a voz do cargo fosse feminina, vejam só.  Publicitários serão ouvidos pelo governo em busca de sugestões. Campanhas serão lançadas para explicar melhor à população o sentido das medidas que ele vem tomando e das reformas que está propondo – por ora, apenas propondo, pois outros 500 será conseguir que sejam aprovadas pelo Congresso. Temer, que diz conhecer tanto aquela casa, está descobrindo com quantos paus se faz uma base aliada.

A comunicação do atual governo é mesmo sofrível mas não é com porta-voz e campanhas publicitárias que Temer vai resolver seu maior problema, apontado, para ficar entre aliados, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia: falta-lhe um elo com as ruas.  E para ficar entre ex-aliados, o ex-deputado Eduardo Cunha foi ao ponto, em sua entrevista ao Estadão:   “...temos um problema: o Michel foi eleito com a Dilma com um programa que ela não cumpriu. E ele também não está cumprindo. Por outro lado, ele aderiu ao programa do PSDB e do DEM, que perderam a eleição. Que o Brasil precisa de reforma previdenciária, trabalhista, não tenho dúvida. Mas é difícil fazer uma coisa muito radical, no meio de um mandato, com alguém sem a legitimidade, que não discutiu isso debaixo de um processo eleitoral.”

Na falta de legitimidade, não há porta-voz que dê jeito. E a percepção dela só vai aumentar, na medida em que Temer avançar na implementação da agenda que se propôs a executar para os que lhe deram o cargo com o golpe, especialmente para o PSDB.  Cunha não sabe se ele chegará a 2018. Fernando Henrique diz que ele não lidera. A maioria dos eleitores sabe que não aprovou um programa com aposentadoria aos 65 anos, jornada de trabalho prolongada e serviços públicos sucateados pelo congelamento do gasto público. O Fora Temer tende a crescer e a aprovação ao governo a minguar mais ainda.  Nestas condições, a função de porta-voz será muito ingrata. Mas sempre aparece um candidato. Ou candidata.

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