Considerações econômicas pandêmicas: sobrevivência, Fiesp e mulheres

Com o auxílio emergencial aprovado nos moldes propostos pelo Congresso Nacional e não pelo desgoverno, muita gente conseguiu movimentar a economia, dentro daquela, digamos, microeconomia, mas foi um ganho apenas para a sobrevivência

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O Boletim Anti-Covid da Unesp de Rio Claro tratou dos aspectos principais da avaliação econômica durante e após a pandemia do novo coronavírus, feita pelo Professor Doutor Luis Antônio Paulino, do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas, da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp – Marília (https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-32-04082020).

Ficou claro que estamos lidando com a precarização do trabalho, precarização da vida, precarização das condições urbanas, evidenciadas até por conta de propagação da própria doença. Com o auxílio emergencial aprovado nos moldes propostos pelo Congresso Nacional e não pelo desgoverno, muita gente conseguiu movimentar a economia, dentro daquela, digamos, microeconomia, mas foi um ganho apenas para a sobrevivência. Infelizmente, pouco foi feito quanto as considerações de uma perspectiva de um mundo pós-pandêmico.

Por outro lado, o professor Paulino entende que mecanismos de renda básica não são a solução. “A renda básica é uma maneira de manter as pessoas sobrevivendo diante dessa situação desesperadora de falta de emprego, falta de oportunidade de trabalho; é evidente que para a saída da crise, isso não é solução”. Segundo ele, a solução é que “primeiro se encontre logo uma vacina, uma solução para que a economia possa voltar a funcionar novamente e que os governos, passada essa crise, tomem medidas de política para incentivar novamente o funcionamento das empresas e a geração de empregos”.

Mas as empresas possuem seu próprio foco distorcido com outros interesses, representados, por exemplo, pela sucessão na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Continua causando estranheza o artigo de Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski (“Fiesp: afinal, eleições de verdade?”, Folha de S. Paulo, 21/1/2020), de teor semelhante ao que publicaram em 21/1 neste mesmo veículo (“Morte anunciada”), especialmente no que diz respeito ao peso político da Fiesp. A federação sempre defendeu explicitamente candidaturas conservadoras e não foi diferente no apoio a Bolsonaro e sua retrógrada pauta de costumes. Pode estar arrependida agora, face ao desmonte da indústria e da pesquisa científica associada. Os autores usam sujeito indeterminado em sua reclamação quando o alvo parece ser Paulo Skaf. Medo, cautela ou apenas modus operandi? A Fiesp é política como qualquer outra atividade ou agrupamento humano, pode desejar não ser partidária, mas deve assumir, sim, seu protagonismo, mesmo que os autores do artigo afirmem categoricamente fugirem de tal responsabilidade.

Outro viés pouco explorado dessa crise econômica (mais uma) é que as mulheres acabam pagando a conta. Porém, no Brasil, tais alertas ficarão no vazio, uma vez que é política oficial do governo federal a misoginia e o machismo, dentre outras atitudes nefastas. Não haverá argumento que convençam que medidas diferenciadas e de proteção às mulheres sejam tomadas. Isso é ilusão nesse país distópico e pandemônico em que vivemos.

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