Contra o coronavírus, mais investimentos em saúde

Se há uma lição positiva que o coronavírus nos traz é a de que nunca é demais injetar dinheiro em ações que envolvem campanhas, aumento de leitos, construção de unidades de saúde e hospitais, profissionalização de agentes e investimentos em ciência e inovação

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(Foto: Adriano Machado/Reuters)


Investir em saúde pública nunca foi excesso, ainda mais agora com o surto do coronavírus. A pandemia que se alastra pelo mundo não é seletiva, atinge nações desenvolvidas e coloca em xeque o sistema de atenção básica ao redor do planeta. No Brasil, a recém-chegada do Covid-19 joga luz na força do Sistema Único de Saúde (SUS) na contenção e tratamento da doença, bem como no prejuízo que a falta de injeção de recursos nessa área pode causar.

A reflexão que proponho leva em conta o desmonte da saúde pública que vem tomando forma desde que o teto de gastos foi aprovado por Temer em 2016. Se assim continuarmos, em 20 anos, teremos não apenas a diminuição dos serviços e tratamentos que hoje são oferecidos gratuitamente, mas também a extinção de uma rede que tem se mostrado um exemplo de sucesso a outras nações como os Estados Unidos, que não contam com esse tipo de assistência.

Por lá, os pacientes que possuem seguro chegam a desembolsar o equivalente a mais de R$ 2 mil para realizar o teste de detecção do coronavírus. O peso é maior para quem não pode pagar pelo plano, chegando à casa dos R$ 7 mil. No SUS, o teste é gratuito! Enquanto o mundo corre contra o tempo para achar medidas de contenção à doença, Cuba silencia as afrontas das nações capitalistas que desconhecem a força dos investimentos públicos em ciência e saúde.

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Graças ao medicamento cubano “Interferon alfa 2B’”, mais de 1.500 pacientes contaminados já alcançaram a cura. Tamanho sucesso tornou o fármaco um dos 30 medicamentos eleitos pela Comissão Nacional de Saúde da China para tratar a doença. Dona de uma das indústrias biotecnológicas mais relevantes do mundo, Cuba mostra às nações internacionais que os sucessivos investimentos na atividade científica e de atenção à saúde, feitos desde a década de 1960, promovem bons resultados que ultrapassam fronteiras.  

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Antecipar-se ao problema passa por uma visão estratégica de governo. Assim tem sido no Ceará. Ontem (13), o governador Camilo Santana (PT) anunciou medidas para prevenir e tratar eventuais casos, mesmo sem nenhuma confirmação de coronavírus no Estado. Ao todo, foram liberados R$ 45 milhões para ações que envolvem compra de insumos para diagnóstico e tratamento, ampliação de leitos, treinamento de profissionais e disponibilização de canais de comunicação.

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A nível nacional, infelizmente, a realidade é outra. Guedes e Bolsonaro desejam perpetuar as medidas anti-povo iniciadas por Temer. Além do teto de gastos que enfraquece as ações do SUS, a corja da ultradireita expulsou os médicos cubanos e pôs fim ao programa Farmácia Popular. A agenda de reformas descabidas também não contribui com a melhoria do cenário.

Guedes e Bolsonaro precisam aprender que reforma não é investimento. Desde o golpe contra Dilma, o povo brasileiro tem visto que não é diminuindo a atuação do Estado que a economia vai crescer. A liberação de recursos travados pelo teto de gastos torna-se fundamental para investir no principal vetor do país: o povo! Só assim teremos chances de barrar o avanço do coronavírus.

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Esperamos que o presidente seja menos ignorante e pare de tratar a pandemia como “fantasia”. Já passa da hora de retomarmos investimentos em saúde a fim de ampliar medidas preventivas e de acolhimento dos acometidos pelo Covid-19. Se há uma lição positiva que o coronavírus nos traz, é a de que nunca é demais injetar dinheiro em ações que envolvem campanhas, aumento de leitos, construção de unidades de saúde e hospitais, profissionalização de agentes e investimentos em ciência e inovação.

Não se trata uma pandemia com reformas neoliberais que prejudicam trabalhadores e geram lucros para banqueiros e grandes empresários. A diminuição do Estado não vai conter a disseminação de um vírus e minimizar os impactos causados na frágil política econômica que apresenta PIBinho e altas taxas de informalidade. Precisamos, na verdade, de mais Estado para prevenir novos casos e atender com qualidade os que já estão doentes.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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