Correlação de forças políticas pende a Lula contra Bolsonaro pela revogação da reforma trabalhista

"Lula lança desafio à própria burguesia: peitar Lula ou conciliar com ele?", questiona César Fonseca

www.brasil247.com - Lula e Geraldo Alckmin
Lula e Geraldo Alckmin (Foto: Reprodução)


Por César Fonseca 

Até agora, Lula esteve costurando conversas político-partidária na armação da frente de partidos de oposição para enfrentar o bolsonarismo e tentar emplacar vitória popular; as pressões advindas da crise econômica, que acelera empobrecimento nacional, levou ele a alterar o discurso político institucional para o discurso pragmático utilitarista, ou seja, a política da rua, no tete a tete com o eleitorado; nesse novo contexto da campanha eleitoral, Lula demarcou essa semana dois campos definidos: defender maiores salários aos trabalhadores e recuperação de direitos sociais e econômicos roubados pela contrarreforma trabalhista e previdenciária neoliberal. Marcou tento ao construir correlação de forças políticas a seu favor. Ficou dessa forma amarrada a estratégia de articulação da ação política da frente com o discurso de defesa dos trabalhadores em suas demandas mais caras: fortalecimento dos salários e reconquistas de direitos trabalhistas. Eis o marco inicial da campanha oposicionista liderada pela aliança Lula-Alckmin.

O candidato da oposição frentista popular jogou no cenário, de abrupto, a luta de classes; os patrões aprovaram no Congresso a reforma trabalhista com a promessa de gerar mais emprego, mais salários e mais de desenvolvimento; furou; era tudo mentira; nem uma coisa, emprego e renda, nem outra, garantias sociais constitucionais, aconteceu; ao contrário, explodiu, com o discurso empresarial anti-gastos públicos, o desemprego, a fome, a inflação e a desigualdade social acelerada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COM BOLSONARO, SÓ CAPITAL GANHOU

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem levou vantagem até agora foi a burguesia financeira e os oligopólios comerciais e industriais especulativos, que embolsaram mais lucros em decorrência do achatamento salarial (mais valia), enquanto os trabalhadores acumularam prejuízos crescentes; a luta de classes, dessa forma, ganha dimensão eleitoral extraordinária, e coloca Lula no polo do trabalho, enquanto Bolsonaro está, com o modelo neoliberal antissocial vigente, no polo do capital.

A realidade objetiva da crise deixa claro que a burguesia industrial e financeira enganou os trabalhadores ao aprovar no Congresso, com a força do dinheiro, tais reformas que resultaram em redução da renda disponível para o consumo; com os salários massacrados, o bla-bla-blá neoliberal de redução do tamanho do Estado para permitir mais investimentos pelo setor privado não aconteceu; de 30% do PIB, na Era Petista, os investimentos caíram na Era Bolsonarista, para menos de 5% do PIB; aprofundou-se o subconsumismo, que derrubou arrecadação e investimentos e acelerou inflação e desigualdade social.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Lula coloca a realidade do povo na campanha eleitoral e pede, em sintonia com essa demanda popular, revogação das reformas e aumento de salários; se redução de salários, com a reforma neoliberal, não ajudou o país a crescer, como mentiram os neoliberais, com fakenews macroeconômico – a solução passa a ser o oposto do ponto de vista do trabalhador: mais salários para ter mais consumo, de modo a elevar arrecadação, investimentos e emprego, como ressalta Lauro Campos em “A crise completa – economia política do Não”, editora Boitempo.

DECISÃO LULISTA PEITA ELITE

O receituário neoliberal fracassou e o capitalismo produtivo entrou em colapso frente ao capitalismo financeiro especulativo; a economia está fraca, sem poder de consumo, enfim, sem sangue nas veias; por isso Lula, em encontro com os sindicalistas, concordou com a pregação pela revogação da reforma trabalhista e do aumento de salário, como primeiro passo para atacar a fome e o desemprego.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Inicialmente, Lula falou em revisão e não em revogação da reforma trabalhista; sob pressão, optou pela segunda proposta; ganha força a voz mais radical do trabalho frente ao capital espoliador; radicaliza-se o discurso do trabalhador na campanha eleitoral.

A burguesia não vai gostar, mas se reagir contra, Lula terá a massa empobrecida pelo modelo neoliberal nas ruas apoiando seu discurso político eleitoral. Ele, assim, colocou a elite no desafio de enfrentar diretamente os trabalhadores, se radicalizar contra eles.

Do ponto de vista das projeções e expectativas eleitorais, Lula une fortemente a frente partidária de oposição; a correlação de forças, maior teste da luta política, no capitalismo em crise de realização de lucros, mostra que a posição de largada na campanha de Lula foi impactante; polariza-se, de um lado, os que estão com o arrocho salarial, com a reforma trabalhista; de outro quem defende nova política salarial; Lula estará com quem?

DIALÉTICA DA CORRELAÇÃO DE FORÇAS FAVORECE GREVES

Ao adiantar-se no ataque com discurso do trabalhador, indo primeiro aos assalariados, deixando a burguesia em segundo plano das prioridades, para expor seu programa eleitoral, Lula lança desafio à própria burguesia: peitar Lula ou conciliar com ele?

A correlação de forças a favor de Lula cria movimento dialético político eleitoral; com o discurso anti reformas e pelo aumento de salário provoca Bolsonaro para a luta; a resposta bolsonarista foi pífia; Bolsonaro, jogando na retranca, anunciou aumento de 5% dos salários dos servidores; a insatisfação com esse percentual está no ar; afinal, os servidores acumulam defasagens de 24% em 2 anos, enquanto recebem proposta de correção de 5%.

A resposta dos servidores e dos trabalhadores privados, no clima de campanha eleitoral, deverá ser greve; diversas categorias dos setores produtivos se mobilizam e se sintonizam com o mesmo discurso: reposição salarial; o governo de Minas pode perder reeleição ao considerar falta de juízo a disposição grevista em Minas.

Provável aumento do ritmo de radicalização, depois que Lula defendeu revogação da reforma trabalhista, é a convocação do velho sindicalista aos seus liderados operários, como no tempo de criação do PT, quando pregava reajustes salariais com correção real dos rendimentos; a elite, diante do movimento dialético, sustentaria e ampliaria a luta de resistência, demitindo trabalhadores, ou buscaria conciliação?

Os empresários, portanto, estão com o desafio de buscar Lula para a composição e não de exigir sua presença para atender reivindicações patronais; o início provável do diálogo a ser conduzido pelo vice Alckmin, sob coordenação do candidato, funcionará como a lógica da nova correlação de forças, que, mediante mobilização de massas, fortalece oposição x situação conservadora.

A luta de classes, portanto, abre, em grande estilo, a disputa presidencial entre Lula e Bolsonaro, com o presidente de plantão, já correndo atrás do prejuízo, porque sua base eleitoral, de olho nas pesquisas eleitorais, já está se dividindo entre ele e Lula, o favorito para faturar.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email