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Crime e castigo

Após quase 40 anos, pode ser condenado o ex-capitão culpado por planejar atentados

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Será que agora vai? Após quase 40 anos, pode ser condenado o ex-capitão culpado por planejar atentados a quartéis e sistema de abastecimento de água, fraude eleitoral no voto em papel, elogio a ditador, ofensas a parlamentares, associação a milicianos, prevaricação, leniência, negacionismo científico, desmonte cultural, golpismo, desvio de verbas públicas, nepotismo, racismo e um longo etc. Fiquemos atentos porque isso não acontecerá porque um procurador ficou com medo e, depois de quatro anos, resolveu agir, nem porque o Legislativo foi atingido em sua sede, pois nada fez no mesmo período quanto a dezenas de pedidos de impeachment. A conveniência ainda é o melhor termômetro para a atuação política.

No julgamento do chamado mensalão, discutia-se a necessidade de privação de liberdade para ações que não fossem “crimes de sangue”. Ora, no caso do ex-capitão fujão, quer mais sanguinária do que a morte de milhares de pessoas pela covid-19 que poderiam ter sido evitadas caso não houvesse leniência e ações antivacina e anti-ciência? Comentaristas e articulistas conversam sobre o tema nos jornalões, isso antes da tentativa de golpe em Brasília, e a punição perguntada por uns deve ser a melhor resposta para que, no futuro, outros possam dizer que, sim, deixamos o criminoso ficar lá quatro anos, mas conseguimos punir exemplarmente ele e sua corja, para coibir futuros aloprados.

Ainda que se pregue ser saudável uma direita democrática, de cuja existência duvido, há que se considerar que o adesismo ao golpe foi muito fácil nos últimos meses. Talvez iludidos com a franca e escandalosa compra de votos por meio da PEC da reeleição, políticos, empresários, militares, influenciadores e um longo etc de direita não mediram esforços para literalmente rasgar a Constituição para manter a perenidade de benesses e a participação em um jogo ilegal. Será difícil não olhar alguém que se afirme de direita sem a dúvida sobre suas reais intenções. 

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