Crise na Argentina: Um duro recado sobre as ilusões políticas com ‘frentes amplas’

"O recado que vem da Argentina serve também de alerta para as forças de esquerda e populares no Brasil: o combate ao neoliberalismo deve ser o centro da agenda programática e mudancista, uma proposta política capaz de despertar e mobilizar a esperança de milhões de brasileiros, que padecem com o desemprego, a redução de direitos sociais, a fome e o desalento", salienta o ativista social Milton Alves

Alberto Fernández e Cristina Kirchner
Alberto Fernández e Cristina Kirchner (Foto: Agustín Marcarian/Reuters)
Siga o Brasil 247 no Google News

Por Milton Alves*

A crise política na Argentina ganhou mais densidade nesta semana com a carta divulgada pela vice-presidenta Cristina Kirchner na última quinta-feira [16]. O documento expressa o sentimento das bases populares que apoiaram a coalizão Frente de Todos nas eleições presidenciais de 2019, em particular dos grupos mais vinculados ao peronismo popular – lideranças sindicais, de piqueteiros, de movimentos de desempregados e comunales -, que criticam as medidas econômicas adotadas pelo governo do presidente Alberto Fernández — identificadas como de cedência ao macrismo neoliberal.

O presidente Alberto Fernández sofreu uma dura derrota nas eleições primárias do último domingo [12], o que demonstrou o descontentamento crescente com os rumos do governo nos últimos meses: inflação, desemprego e a relação com o Fundo Monetário Internacional [FMI] são questões que despertam  a ira da povo trabalhador diante da tibieza presidencial.

PUBLICIDADE

Mais de dez integrantes do primeiro escalão do governo entregaram os seus cargos, incluindo cinco ministros, e parlamentares peronistas aumentaram o teor das críticas ao presidente Fernández.

A situação atual da Argentina é um reflexo do esgotamento da aplicação do modelo neoliberal, repudiado nas urnas em diversos países da região. A fórmula Alberto Fernández-Cristina Kirchner foi eleita com a expectativa de reverter os anos de desastre neoliberal do governo Maurício Macri.

As tentativas de mitigar a execução do projeto neoliberal não agradaram a maioria dos argentinos e o titular da Casa Rosada amarga forte queda em seus índices de popularidade.

PUBLICIDADE

Na carta, Cristina Kirchner insta ao presidente para que respeite e honre a vontade do povo argentino e lembrou que, ao tomar a decisão de propor Fernández como candidato, o fez com a convicção de que era o melhor para o país.

A polarização política em curso na América Latina tem como eixo determinante a luta contra o projeto de recolonização neoliberal — conduzido pelo imperialismo norte-americano em aliança com as classes dominantes locais.

O cenário vivenciado pelos hermanos é um indicador dos limites e do curto prazo de validade das políticas conciliadoras e de frente ampla com segmentos e frações da burguesia liberal.

PUBLICIDADE

O recado que vem da Argentina serve também de alerta para as forças de esquerda e populares no Brasil: o combate ao neoliberalismo deve ser o centro da agenda programática e mudancista, uma proposta política capaz de despertar e mobilizar a esperança de milhões de brasileiros, que padecem com o desemprego, a redução de direitos sociais, a fome e o desalento.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

PUBLICIDADE

Cortes 247

PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email