Crônica do segundo domingo de luta antifascista na rua

O vil assassinato de George Floyd, ocorrido no último 25 de maio, viralizado em filme mais rapidamente que o covid-19, deflagrou um auge mundial de revoltas

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O vil assassinato de George Floyd, ocorrido no último 25 de maio, viralizado em filme mais rapidamente que o covid-19, deflagrou um auge mundial de revoltas. 

Elas percorrem o mundo sem dia marcado para terminar. Trazem à tona a luta entre sentimentos instintivos do ser humano (vida e morte, amor e ódio etc.) e valores civilizatórios alcançados pelo ser humano por meio da razão (ciência, arte, cultura, educação, etc.).

O policial branco sufocando o negro George surdo dos apelos do homem negro sob seu joelho ... A cobertura dos 3 colegas fardados impedindo a ação do anônimo transeunte...  Tudo isto chocou a Humanidade que deseja respirar livremente ar puro, limpo de vírus e livre de preconceitos e de poluição. A Humanidade quer respirar! É sinal de vida!! Esperança.

Mais rápido que um rastilho de pólvora e tão veloz quanto um zap, a partir de Minneapolis, propagaram-se ondas de protestos nas redes e conectando ruas de dezenas de cidades e centenas de milhões de pessoas.

Em nosso Brasil conectaram-se ao repúdio por duas mortes recentes de crianças negras. Primeiramente, a de João Pedro, dia 18 de maio, morto pelas costas, pela polícia assassina do Estado do Rio de Janeiro, aos seus 14 anos, na casa de seus familiares, no Complexo do Salgueiro. E depois, a morte de Miguel, dia 2 de junho, aos 5 anos, filho, querido de uma mãe, empregada doméstica, um pai, trabalhador rural, num acidente de elevador, pela negligência de classe de patrões nordestinos, herdeiros da Casa Grande Escravocrata.

Os que saímos às ruas no dia 31 de maio na Avenida Paulista, a enfrentar o fascismo e a defender-nos dos vírus, tendo por guia a Ciência e, na rua as torcidas organizadas paulistanas...que alegria! Na frente do MASP, tendo à frente as queridas alvinegras santistas e corintianas e, ao lado, bandeiras de todas as cores!!!  que maravilha !!! que vitória da geral e da galera!!! Vitória mesmo, a despeito de elementos provocadores que, em conluio com a PM quiseram azedar a festa. Isto ficou bem caracterizado nos sites que nos informam verdadeiramente, feitos por jovens Jornalistas Livres, Mídias Ninjas, Brasis247, e outros, feitos por veteranos, como o Nassif e outros, mais numerosos que santose que, por isso, desculpem-me, por não os citar todos, nominalmente.Quem na Paulista esteve (e quem só viu de longe) já não se deixa intimidar por Fake News das corporações mentirosas, solidárias nas aparências que ainda enganam muita gente.(mas agora que a política das torcidas organizadas vai na direção certa,  a direita ku kllux kan que sempre açulou e tolerou a selvageria, quer qualificar de troglodita, a faísca que de volta, a todos nos invitaà Democracia Grega do Doutor Sócrates, o corintiano, a autêntica, com cerveja, cultura e camaradagem cultivada no Estádio do MST. 

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Hoje, sete de junho pelo mundo, muitas cidades fervendo de gente nas ruas.

-*-Em São Paulo foi dia de jogo no Largo da Batata. Entrou em campo a Seleção da Frente Povo sem Medo,com máscara, álcool gel, distanciamento físico.A ordem era fazer gol e não aceitar provocação.

Já tinha havido um esquenta de manhã com manifestações no DF transmitidas pela Internet. Fez bater mais forte meu coração, de alegria, por ver na rua, centenas de jovens, a simbolicamente, com seu exemplo, impedir o avanço do fascismo, instalado na Esplanada dos Ministérios. E bater mais forte, de preocupação, ao ver os meganhas e seus aparatos, saudados por um General Heleno, o carrasco do Haiti, vestido à paisana, a passear por ali, filmado pela TV e desperdiçando verbas do Gabinete de Segurança Institucional, vulgo Covil do Gabinete do Ódio.

Conforme se aproximava o horário marcado das 14 horas aumentava a adrenalina própria da emoção dos grandes jogos e os hormônios necessário para as grandes batalhas.

A direção do nosso time decidiu transferir o teatro de operações, da Av. Paulista para o Largo da Batata. A meu ver: decisão corretíssima, referendada pelos bons resultados. As imagens aéreas do Largo ocupado com um mar de gente contrastavam fortemente com as dezenas de moleques mal pagos, uniformizados de verde-amarelo, trocaram as placas de anúncios imobiliários de antanho, por uma faixa pedindo intervenção militar. Na parede ao lado da FIESP uma pintura de DORIA É UM BOSTA #Bolsonaro. Nas adjacências daquele lumpesinato mais polícia militar que militantes dando cobertura.

Assumir o risco em meio à pandemia, de barrar o fascismo nas ruas, depois de uma semana em que reverberavam na mídia os eventos do domingo anterior, já era uma proeza suficiente.

Quem não foi pode acompanhar a transmissão. Das que vi fiquei entre duas - Midia Ninja, com sua câmera pegada aos fatos e o Diário do Centro do Mundo, com Mauro Donato, em campo, nos fatos, e Joaquim de Carvalho, nos estúdios. Parabéns à reportagem que merece este nome. A mídia aberta não transmitiu. Noticiou burocraticamente nos “jornais” da noite. Não transmitiram o discurso de Guilherme Boulos, grande promessa da geração nascida no milênio passado. O líder do MTST, candidato do PSOL à presidência em 2018, filho de médicos infectologistas, que desde cedo assumiu para si, como ideal de vida, a luta contra as injustiças, encerrou sua excelente intervenção, com especial saudação, à Frente Povo sem Medo, entidade aglutinadora e representativa dos anseios populares. Entre os pontos que ressaltou sabiamente em sua fala, destacou (e transcrevo de memória, então desculpem por alguma falha) que a divisão “não é entre os que estamos neste ato e os que não puderam vir,..., a divisão é entre o fascismo instalado no planalto e a democracia.”

Enquanto isso, a Globo News que se tornou o epicentro de um sistema nacional de mídia corporativa, promoveu um debate nos seus estúdios conduzido por Miriam Leitão e seus convidados, líderes políticos da oposição-semPT, Marina Silva, Ciro Gomes e FHC, num esquenta para os próximos passos.

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