Da base ao topo: a mulher negra e os espaços de poder

Segundo pesquisa do Ipea, apenas 2,96% das mulheres negras ocupam espaços de poder, 24,24% das mulheres pardas e 0,15% das mulheres indígenas, ante 71,32% das mulheres brancas

www.brasil247.com - Marcha das Mulheres Negras
Marcha das Mulheres Negras (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi)


De acordo com o  Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), a posição das mulheres negras no âmbito social e profissional está muito distante das mulheres não negras no Brasil, principalmente quando esse lugar é no topo da pirâmide, ou seja, em cargos de altos níveis. Em pesquisa realizada pelo Instituto, apenas 2,96% das mulheres negras ocupam espaços de poder, 24,24% das mulheres pardas e 0,15% das mulheres indígenas, sendo uma enorme diferença entre a ocupação das mulheres brancas, que é de 71,32%.

As desigualdades são claramente demostradas nas grandes empresas privadas, assim como no setor público brasileiro. É fácil perceber o racismo e o patriarcado agindo, tornando a figura da mulher negra ausente dos lugares de poder. Ela ainda é estigmatizada pelo trabalho doméstico, por funções de submissão, pela herança colonial de cuidar dos filhos da branquitude e do trabalho braçal. Essa visão dominadora atravessa séculos e persiste até hoje, privando a mulher negra de oportunidades.

As suas conquistas e avanços ultrapassam ainda mais obstáculos que a grande parte das minorias. Apenas partir da década de 1940, por exemplo, o jornal carioca Quilombo, vida, problemas e aspirações do negro, iniciou a veiculação de um grande movimento pelos direitos das mulheres negras. Até o momento, a imprensa negra e suas publicações valorizavam questões voltadas apenas para o homem negro.

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“Deixem-me dizer algo: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”, discursou Viola Davis, ao ser a primeira mulher negra premiada com o Emmy de melhor atriz, na categoria dramática. É a partir dessa falta de oportunidade citada pela Viola que se estrutura e se perpetua o sistema patriarcal. Ele dificulta a ascensão da mulher negra, começando pela base familiar, passando pela falta de acesso à educação e chegando aos lugares discriminatórios de poder, respaldado pelo racismo estrutural.

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É necessário que haja ações para que se rompa esse ciclo e cada vez mais a mulher negra possa ocupar os espaços de comando, o topo da pirâmide. A sua luta por igualdade é constante. A todo tempo a política de silenciamento tenta calar a sua voz, empenhando-se em fazê-la acreditar que não se encaixa nos lugares de grande importância social.

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A atuação de juízas, desembargadoras, promotoras, procuradoras negras e de cargos no sistema da OAB é de extrema valia, isso é incontestável. Mas ainda assim é uma atuação mínima, diante de um cenário feminino majoritariamente branco, como os dados demonstram. A representatividade deve ser ampliada, dando força à conquista de cada vez mais espaços.

A reparação é urgente. O trabalho é complexo. É necessário não somente uma política voltada para a inserção profissional das mulheres negras nessas ocupações, mas também um profundo amparo e fortalecimento dessas mulheres. Desde políticas públicas que promovam assistência social, a políticas de saúde psicológica, que as ajudem a superar e curar marcas de uma história de séculos de traumas e sofrimentos incomensuráveis, recuperando e reafirmando a sua identidade.

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É necessário saber que se pode e se deve haver mobilização, pois, citando a escritora estadunidense Ângela Davis: “Quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela".

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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