De Epitácio Pessoa para Braga Netto

Aquele que deseje entregar-se à cabala eleitoral, comece por despir o uniforme e guardar as armas, porque tal mister não é de militar, mas de cidadão

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(Foto: Beto Barata/PR)


Por Alex Solnik

Na edição de domingo, 9 de outubro de 1921, à página 2, sob o título “Ultraje ao Exército”, o Correio da Manhã informa que, por “um acaso”, tomou conhecimento da “perda de cartas comprometedoras escritas pelo sr. Arthur Bernardes ao senador Raul Soares” e decidiu publicar uma delas.

Então governador de Minas e candidato à presidência nas eleições de março de 1922, Bernardes faz, na suposta carta, considerações a respeito de um banquete oferecido por oficiais ao marechal e ex-presidente Hermes da Fonseca, a quem chama de “sargentão sem compostura”.

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Define o evento como “uma orgia, ridícula e acintosa” e afirma que “esta canalha precisa de uma reprimenda para entrar na disciplina”.

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Segue, dizendo: “vamos ver se Epitácio mostra agora a sua apregoada energia, punindo severamente esses ousados, prendendo os que sairam da disciplina e removendo para longe esses generaes anarchizadores”.

Bernardes ainda recomenda ao amigo e senador, seu candidato à sucessão em Minas:

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“Os que forem venais, que é quase a totalidade, compre-os com todos os bordados e galões”.

O Correio da Manhã, aliado do adversário dele, Nilo Peçanha, chama Arthur Bernardes de “politiqueiro inferior” e exagera nas imagens:

“Contra esse degenerado devem levantar-se até as pedras das calçadas”.

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Autêntica ou não -  a dúvida persiste até hoje - a carta foi o assunto da campanha de 1922, que já estava polarizada. Os “bernardistas” alegavam que um chantagista havia oferecido essas cartas, e eles recusaram. Daí a tréplica dos fãs de Nilo Peçanha: se o bandido ofereceu a carta falsa aos “bernardistas”, por que não o denunciaram?

O clima engrossou, gerou uma crise daquelas, deputados pediram prisão de Bernardes, houve quem incitasse militares a saírem às ruas, até que o presidente Epitácio Pessoa pôs ordem na bagaça com a seguinte declaração que não envelheceu, cem anos depois:

“Não se compreende que um oficial ande por aqui e por ali uniformizado, armado e revestido da função de comando a receber manifestações políticas e a angariar prosélitos para este ou aquele candidato. Vai nisto grave coação à liberdade dos subordinados, presos aos deveres da hierarquia, e também à liberdade dos civis, carentes de organização e desprovidos de armas. Aquele que deseje entregar-se à cabala eleitoral, comece por despir o uniforme e guardar as armas, porque tal mister não é de militar, mas de cidadão”.

Taí um conselho que o general Braga Netto deveria seguir.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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