Defender e fazer valer a ideia

Lula está preso, mas nós estamos livres. Somos capazes de ser a voz da ideia de um país cujo acesso aos recursos energéticos seja para a inserção da nação entre os players globais, com justa e democrática distribuição das riquezas produzidas com o suor e o sangue da classe trabalhadora

Defender e fazer valer a ideia
Defender e fazer valer a ideia (Foto: Stuckert)

A população brasileira, independentemente de tendência ideológica que reflita o posicionamento de algum partido político, deve reagir contra o processo de destruição do pouco que se avançou em acesso à distribuição de renda, na história do País. O Partido dos Trabalhadores foi o que mais autocrítica já fez, desde a sua criação. Nenhum outro partido, seja de esquerda ou de direita, foi instado a se imolar, em praça pública. O PT provou que as acusações contra Dilma Rousseff são infundadas e que Luiz Inácio Lula da Silva é um sequestrado político. Preso sem cometimento de crime e silenciado pelo autoritarismo do Estado.

Lula está preso, devemos retirá-lo de lá e estamos fazendo todos os esforços legais para isso. Porém, enquanto o mantêm na cadeia, o ministério de notáveis golpistas de Temer entrega as reservas energéticas e as empresas estratégicas com as quais a nação pode voltar a abrir acesso à educação, saúde, moradia à população, e ser respeitada no cenário internacional. Acima de Lula, ou de qualquer líder político, o que está em jogo é a soberania brasileira sobre a determinação de como uma nação deve utilizar suas riquezas e suas empresas para o seu desenvolvimento.

O Brasil vive um avassalador retrocesso em políticas públicas nos mais diversos setores, desde a educação, passando pela saúde e a cultura, até a tecnologia. O projeto de Estado Mínimo, derrotado em 2014, está sendo implantado em velocidade e voracidade avassaladoras. Uma das pautas desse projeto, a reforma trabalhista, ainda não precarizou suficientemente as relações entre capital e trabalho. Hoje, cerca de 23 milhões de brasileiros labutam por conta própria. Não recolhem para a Previdência, nem como CNPJ, nem como CPF. Para os empresários, o trabalho temporário é perfeito diante do contingente de 13 milhões de lares atingidos pelo flagelo do desemprego.

Enquanto Lula é mantido ilegal e injustamente preso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) sinalizam severos retrocessos sociais em apenas dois anos depois do golpe de 2016. A extrema pobreza voltou à condição de 2005 e, a pobreza, à de 2009. A mortalidade infantil cresce entre crianças de um a quatro anos de idade. Isso significa que a desnutrição voltou ao país que tem a maior reserva de água doce do mundo e possui mais de 150 milhões de hectares agricultáveis.

Lula está preso, mas nós estamos livres. Somos capazes de ser a voz da ideia de um país cujo acesso aos recursos energéticos seja para a inserção da nação entre os players globais, com justa e democrática distribuição das riquezas produzidas com o suor e o sangue da classe trabalhadora. Nesse sentido, a Federação Única dos Petroleiros defende com valentia o patrimônio nacional. Bem articulada e organizada, a FUP trava uma guerra no Judiciário e atrasa, ainda que temporariamente, os interesses das petroleiras internacionais e dos acionistas minoritários da Petrobras.

Par e passo, a entrega da soberania nacional anda com os retrocessos sociais impensáveis para quem, até pouco tempo atrás, foi a sexta economia do mundo. A camarilha do Estado Mínimo de Temer permite a volta de doenças que estavam controladas. Entre julho de 2017 e fevereiro de 2018 houve aumento de 464 casos e 154 óbitos por Febre Amarela. Isso significa negligência no controle dos vetores de contaminação. O País está se dirigindo à condição de produtor e exportador de matéria-prima, quando pode exportar tecnologia. A sociedade brasileira deve decidir se quer ser soberana ou colônia das nações centro de poder. Porém, soberania é condição para quem sabe ser.

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