Dependência ao Norte?

Mais do que nunca a classe trabalhadora terá de demonstrar sua capacidade de organização e mobilização para impedir que o futuro do Brasil seja solapado para o enriquecimento de outros povos

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Exceto quando governados por bandoleiros saqueadores e entreguistas, todos os países do mundo investem no seu desenvolvimento, aproveitando o que têm de melhor em recursos energéticos e competência para dominar tecnologias. Água, petróleo, ferro, nióbio, ouro, bauxita, entre vários outros minerais e uma das mais diversas biotas do planeta, pode tornar o Brasil uma potência biológica. Como diz o verso da música, “um país abençoado por deus”. E ele foi tão generoso que produziu uma gente capaz e criativa que, a despeito de todas as adversidades impostas pelas potências interessadas nas suas riquezas, desde 1500, e pela classe dominante mais atrasada, submissa, constrangida de ser brasileira e truculenta do mundo, construiu patrimônios que se tornaram referência mundial, em qualidade de serviços e produção tecnológica.

O espaço é pouco para descrever as contribuições que os servidores públicos produzem diariamente, apesar de serem apenas 12% da força nacional de trabalho, quando a média dos países da OCDE é de 21%. Nas décadas de 1970 e 1980, a empresa Correios prestava consultoria internacional. Hoje, a americana FedEx de remessa de correspondência entrega pelos Correios porque é mais eficiente, seguro e barato do que se ela montar uma estrutura, aqui. Desde que foi criada, em 1969, a empresa acompanhou o desenvolvimento tecnológico. Nos governos do PT, o Banco Postal ajudou a aquecer a economia nos pequenos municípios. Com a privatização, os dados de todos os brasileiros serão entregues à iniciativa privada, cujos critérios de privacidade estão ligados ao lucro e, portanto, a sociedade estará muito mais exposta aos venais interesses do mercado. Informações tão sensíveis quanto, serão entregues quando Bolsonaro vender a Dataprev e o Serpro.

É necessário muito investimento em tecnologia, para produzir chips e semicondutores eletrônicos, assim como é para buscar petróleo a mais de 8 quilômetros abaixo da superfície do mar, ser o segundo maior produtor de energia do mundo e um recorrente recordista em produção e exportação de grãos. O Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, a Petrobras, Eletrobras, Embrapa, dentre outras empresas são ferramentas vitais para o Brasil superar as crises sanitária e econômica. De fato, o País possui grandes reservas energéticas, empresas estratégicas e um povo que construiu tudo isso e é capaz de muito mais. Porém, entre essas condições e o desejo de cumprir a missão de se desenvolver, há um presidente fiel um ministro da economia teleguiado pela classe dominante, que não tem outro interesse senão o de se apossar de tudo, acima de todos.

Nesse sentido, a semana começa sem nada de novo, apenas o grau e a velocidade da pilhagem, com Paulo Guedes à frente. A MP 995 desmembra a Caixa, transformando seus braços em empresas subsidiárias, que podem ser vendidas sem o aval do Congresso Nacional. Seria dispensável, mas é sempre importante a importância da Caixa. Fundada em 1861, é a maior poupança bancária brasileira, lucrativa e com um papel social fundamental para um dos países mais desiguais do mundo. Ela tem as suas digitais em projetos civilizatórios, como o Minha Casa Minha Vida e o Fies, entre outros. O primeiro, durante os governos Lula e Dilma, construiu 3,5 milhões das mais de quatro milhões moradias contratadas. O segundo colocou mais mais cinco milhões de filhos de pobres nas universidades, até então um restrito espaço de decisão política.

Para fatiar a empresa, Bolsonaro usa de uma brecha deixada pela decisão do Supremo Tribunal Federal. Segundo o STF, as empresas subsidiárias e controladas podem ser alienadas sem análise do Parlamento. Quando as empresas se tornarem privadas, adeus retorno social que promove avanços econômicos, culturais, tecnológicos. Bolsonaro, Guedes, a maioria do Congresso Nacional, a imprensa comercial agem em conjunto para destruir a soberania do Brasil. Sem reação, todo o lucro produzido pelo trabalho árduo e diligente dos brasileiros será destinado a outros países. Da história, os posicionamentos já tomados não escapam. Porém, é preciso ir além e salvar o futuro do Brasil, impedindo que o Congresso Nacional cometa esse crime lesa-pátria. Portanto, mais do que nunca a classe trabalhadora terá de demonstrar sua capacidade de organização e mobilização para impedir que o futuro do Brasil seja solapado para o enriquecimento de outros povos.

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