Desemprego é fruto da globalização tucana

O desmonte sistemático da força produtiva brasileira, iniciada no governo Collor e sacramentada na era Fernando Henrique Cardoso, tem como consequência a incerteza de futuro desta e das próximas gerações

Desemprego fica em 7,6% em janeiro
Desemprego fica em 7,6% em janeiro (Foto: Celso Raeder)

A crise econômica brasileira, que provocou a baixa na carteira de 12 milhões de trabalhadores, é um processo irreversível que segue numa escala ascendente. Como resolver o problema do desemprego no Brasil se, por exemplo, 90% das lâmpadas vendidas no país vêm da China? Especialistas calculam que, para cada milhão de reais pagos por produtos importados da Ásia, 27 empregos deixam de ser criados em território nacional. Vá à cozinha e olhe o que está escrito no fundo do seu balde ou do escorredor de macarrão: made in China. Ora bolas! Onde estão as indústrias, como a Trol, que nos anos 1960 era líder de vendas dessas quinquilharias de plásticos? E o setor têxtil, que produzia tecidos para confecções e lojas de departamentos? E o que falar dos estaleiros, que perdem encomendas para o concorrente que está do outro lado do mundo? Esse é o legado da globalização preconizada por Fernando Henrique Cardoso e seus emplumados tucanos.

O Partido dos Trabalhadores também tem boa parcela de responsabilidade nesse processo, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega chinês, Hu Jintao, firmaram acordo para reconhecer a China como um país com economia de mercado, em 2004. Esse protocolo possibilitou aos chineses o reconhecimento de que cumprem as regras estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio, o que é uma grande mentira, para equalizar os negócios bilaterais com o Brasil.

Hoje, ficou claro que a transação só foi boa para os chineses e para os pecuaristas brasileiros, que ganharam de bandeja um mercado gigantesco para vender seu gado. Para a indústria nacional, no entanto, tal reconhecimento foi um desastre. O governo abriu as portas para todos os tipos de produtos chineses, para concorrer com os similares fabricados pela indústria nacional. Isso inclui tanto os produtos acabados, como também as matérias primas, fornecidas a um preço que as empresas brasileiras, reféns de cargas tributárias elevadíssimas, não conseguem acompanhar. O resultado disso é a falência de milhares de empresas e o desemprego de milhões de chefes de família.

Para gerar empregos, primeiro é preciso que exista lugar para se trabalhar. No jornalismo, por exemplo, onde as centenas de jovens que se formam todos os anos vão atuar na profissão? De que vale um diploma de torneiro mecânico do Senai, se quase não existem metalúrgicas para dar conta da demanda? O desmonte sistemático da força produtiva brasileira, iniciada no governo Collor e sacramentada na era Fernando Henrique Cardoso, tem como consequência a incerteza de futuro desta e das próximas gerações.

A crise econômica brasileira é, antes de tudo, fruto da irresponsabilidade criminosa com que os governos entregaram de bandeja um mercado com 200 milhões de consumidores, sem que tivéssemos condições de enfrentar os desafios da globalização em situação de igualdade. Não será o dinheiro podre dos especuladores internacionais que trarão nossos empregos de volta. E também não será com reformas que retirem direitos de trabalhadores e aposentados que sairemos do buraco. O que o Brasil precisa mesmo é reafirmar sua soberania. Determinar medidas de proteção ao mercado nacional contra a invasão de produtos baratos e de qualidade questionável. Está na hora de a indústria estampar em suas marcas o rótulo: made in Brasil.

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