Diga-me com quem andas...

Ficou patente que Karnal tomou posição na guerra. O campo da esquerda, que difundia seu posicionamento estará, doravante, reticente com suas expressões acerca da democracia. Não acredito que seja caso para execração, mas sim de aprendizado e amadurecimento

Ficou patente que Karnal tomou posição na guerra. O campo da esquerda, que difundia seu posicionamento estará, doravante, reticente com suas expressões acerca da democracia. Não acredito que seja caso para execração, mas sim de aprendizado e amadurecimento
Ficou patente que Karnal tomou posição na guerra. O campo da esquerda, que difundia seu posicionamento estará, doravante, reticente com suas expressões acerca da democracia. Não acredito que seja caso para execração, mas sim de aprendizado e amadurecimento (Foto: Enio Verri)

O professor Leandro Karnal está sofrendo um injusto linchamento, em que pese, por causa dele mesmo. Nas redes sociais, sempre combateu a ruptura democrática e apontou a corrupção não como prerrogativa desse ou daquele partido, mas, um fenômeno observado em qualquer fila que se tenha de enfrentar. Devido ao posicionamento alinhado ao da esquerda, cujo sentimento é de indignação com o golpe, suscitou paixões pela sua pose ao lado do juiz popstar da operação Lava Jato.

O fato de Sérgio Moro, há três anos, perseguir enfurecidamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não exclui a sua capacidade intelectual. Seu caráter não tem exatamente a ver com sua inteligência. Cobrar de Karnal pelo diálogo que mantém com todas as forças envolvidas é um patrulhamento ideológico que não contribui para os tão necessários debate e ações, num momento tão delicado de nossa história.

Ocorre que Moro não é um personagem secundário do golpe. Ele foi denunciado, tanto no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), quanto no Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (Acnudh). Entre as provas apresentadas da perseguição estão a abjeta e cinematográfica tentativa de condução coercitiva de Lula e o vazamento para a maior rede de comunicação do País, da gravação ilegalmente captada de uma conversa entre a presidenta Dilma Rousseff e Lula.

O registro de Karnal foi infeliz por vários motivos. Se ele tivesse posado na presença apenas do juiz Furlan, seria apenas mais uma corriqueira postagem do professor. Toda a celeuma foi causada tão somente pela presença do outro personagem, somada a expressão, "amigo". Aí foi para matar. Não conheço registro em que Karnal tenha posado ao lado do advogado Adriano Zanin ou de alguma figura proeminente da esquerda, chamando-o de "amigo".

Infelizmente, professor, não é tão simples assim. Uma coisa é considerar a pessoa inteligente, o que até Hitler foi. Outra coisa é uma consideração de amizade. Há registros do professor, em palestras e participações em rodas de debates, citando o dito secular, "diga-me com quem andas que te direis quem és". Ficou patente que Karnal tomou posição na guerra. O campo da esquerda, que difundia seu posicionamento estará, doravante, reticente com suas expressões acerca da democracia.

Não acredito que seja caso para execração, mas sim de aprendizado e amadurecimento. Porém, o professor não pode esperar uma atitude compreensiva de seus seguidores de esquerda, uma vez que estamos numa guerra, num país onde a democracia foi usurpada por forças sinistras do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas, Mercado Financeiro e parte da Imprensa. Reserva e observação talvez sejam as posturas mais adequadas diante dos messias.

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