Diretor do Inpe detona Bolsonaro, o covarde

“Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos”, afirmou o direto do Inpe, Ricardo Galvão

Ricardo Galvão
Ricardo Galvão (Foto: Reprodução)

Com a intenção de esconder o aumento do desmatamento no campo, visando beneficiar os latifundiários e sua corrompida bancada ruralista, o “capetão” Jair Bolsonaro disparou sua verborragia na sexta-feira (19) contra o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em um café da manhã com a imprensa estrangeira, ele vomitou que dará uma bronca no diretor do órgão, Ricardo Galvão. “É lógico que eu vou conversar com o chefe do Inpe. Matérias repetidas apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora”. 

O presidente tosco e abestado que renega a ciência se referia aos dados preliminares de satélites do Inpe que comprovam que mais de 1.000 km² de floresta amazônica foram derrubados na primeira quinzena deste mês – aumento de 68% em relação a julho de 2018. Travestido de nacionalista, o capacho que bate continência à bandeira dos EUA bravateou que os índices de desmatamento prejudicam a imagem do país no exterior. Com sua mentalidade conspirativa, ele ainda insinuou que Ricardo Galvão estaria “a serviço de alguma ONG”. 

A verborragia do “capetão”, porém, não intimidou o dirigente do Inpe. Em entrevista ao Estadão no sábado, ele detonou o fascista, afirmando que sua atitude em relação ao órgão é “pusilânime e covarde”. Ele também ironizou as declarações do fascistoide. “Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva à imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis não somente a mim, mas a pessoas que trabalham pela ciência desse país”. 

“Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos”, prosseguiu o engenheiro, que iniciou a carreira no Inpe em 1970, fez doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e é livre-docente em Física Experimental na USP desde 1983. 

A atitude “pusilânime e covarde” do bravateiro de botequim também gerou forte rejeição da comunidade científica. Em carta assinada por representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Academia Brasileira de Ciências e de várias fundações de fomento à pesquisa, os principais cientistas do país saíram em defesa do Inpe: “A excelência do seu trabalho é reconhecida por outros governos, em especial Estados Unidos e França. Esse trabalho é exemplo mundial de competência na área, sendo reconhecido como referência por organismos internacionais como a FAO e Organização Meteorológica Mundial, e está sendo estendido para o monitoramento de todos os biomas brasileiros”. 

O temor da comunidade científica – nativa e mundial – e dos servidores do Inpe é que o apologista da tortura e da ditadura que hoje preside o país demita Ricardo Galvão. Mas o novo alvo do ódio fascista parece não se intimidar. Em entrevista à Folha, ele afirmou que “posso até ser demitido, mas não se pode atacar o Inpe” e lembrou que o órgão é perseguido desde janeiro por Ricardo Salles, o jagunço dos ruralistas que comanda o Ministério do Meio Ambiente. “A única coisa que o Inpe faz é colher dados, nada mais, mas havia insatisfação sobre isso. Isso estava concentrado no MMA e eu não esperava que subisse à presidência da república, mas aparentemente subiu, não sei exatamente pelo esforço de quem”.

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