Disparos de WhatsApp a partir da Espanha nas eleições de 2018

É fundamental a investigação sobre a operação de tantas empresas interferindo na eleição brasileira, o que é proibido, principalmente a partir de outro país, o que configura ainda mais a ilegalidade

Presidente da República Jair Bolsonaro
Presidente da República Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Está na Folha de hoje (18), em reportagem de Patrícia Campos Mello, a declaração do espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps: "Durante a campanha eleitoral de 2018, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para fazer, pelo WhatsApp, disparos em massa de mensagens políticas a favor do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL)". Ele disse que “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” brasileiros compraram seu software para mandar mensagens em massa a favor de Bolsonaro. Disse também que não sabia que seu software estava sendo usado para campanhas políticas no Brasil e só tomou conhecimento quando o WhatsApp cortou, sob a alegação de mau uso, as linhas telefônicas de sua empresa". A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não quis comentar.  

É importante destacar que doação de empresas para campanha eleitoral é proibida no Brasil. E doações não declaradas, mesmo sendo de pessoas físicas, também são ilegais. A empresa de Novoa é especializada no envio automático de mensagens para milhares de números de telefone. O próprio empresário espanhol falou sobre a contratação da empresa para disparar mensagens a favor de Bolsonaro. Ela foi realizada durante um encontro de empresários, na Espanha.  

“Eles contratavam o software pelo nosso site, fazíamos a instalação e pronto [...] Como eram empresas, achamos normal, temos muitas empresas [que fazem marketing comercial por WhatsApp]”, afirmou o espanhol da Novoa. “Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política”, completou o empresário espanhol.  

Foi perguntado a ele: “Era campanha para algum partido?” Novoa respondeu: “Eram campanhas para Bolsonaro”. Os cortes de linhas a que ele se refere foram feitos pelo próprio WhatsApp, cujas regras proíbem o uso da plataforma para envio de mensagens em massa.  

Todo mundo já tinha certeza de algo assim, mas agora surgiu a primeira grande revelação. Mesmo não sendo proibida a utilização de WhatsApp, não é permitido seu uso se não for através dos partidos políticos. É fundamental a investigação sobre a operação de tantas empresas interferindo na eleição brasileira, o que, repetimos é proibido, principalmente a partir de outro país, o que configura ainda mais a ilegalidade. É ultrajante e ilegal. Será que o PSL declarou a operação em sua prestação de conta eleitoral? Será que o Pavão Misterioso pupilou no pedaço?

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