Ao abrir as portas de nosso sistema prisional para dar passagem a seis personagens do porão da ditadura militar, o Supremo Tribunal Federal abriu caminho para um indispensável ajuste de contas da nação brasileira com a própria História.
Estamos falando daquele período de quase três décadas em que a lei foi substituída pelo crime, a civilização acabou dominada pela barbárie e, mais grave ainda, a verdade era trocada pela mentira.
Julgados pelo STF, um ex-presidente da República, três generais e um almirante quatro estrelas agora devem prestar contas ao Brasil e aos brasileiros.
Num país que assistiu durante anos — em silêncio forçado — a atrocidades impensáveis contra as garantias individuais, liberdades públicas e incontáveis vidas humanas, massacradas sem piedade por décadas a fio, essa decisão abre horizontes inéditos para o Brasil e os brasileiros.
Ao romper uma tradição de acomodação e conformismo, que tantas vezes serviu de entrave a avanços indispensáveis a uma nação de potenciais celebrados com tanta frequência e ruído, a Ação Penal 2.668 recorda uma verdade fundamental.
Trata-se da noção de que nenhum povo consegue superar as fraquezas e tragédias enquanto não tiver forças para encarar o próprio passado.
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