Dois boquirrotos numa campanha suja

O colunista do 247 Alex Solnik destaca que "daqui em diante a campanha presidencial vai ficar polarizada entre Ciro e Bolsonaro. São os dois candidatos mais boquirrotos, mais impetuosos e mais afeitos a ofender os demais"; para ele, pelo menos "por enquanto, Ciro e Bolsonaro não trocaram farpas, nem socos, nem tiros, mas tudo leva a crer que isso não demora a acontecer"; O fato é que Lula, por estar na dianteira isolada e disparada, é o único que não precisa bater em ninguém", diz; "E outra, bater em Lula será um péssimo negócio, não se bate em quem está numa situação tão delicada como ele. Periga ele subir ainda mais nas pesquisas", completa

Dois boquirrotos numa campanha suja
Dois boquirrotos numa campanha suja (Foto: Fotos: Reuters)

Acho que daqui em diante a campanha presidencial vai ficar polarizada entre Ciro e Bolsonaro. São os dois candidatos mais boquirrotos, mais impetuosos e mais afeitos a ofender os demais. Embora, é óbvio, Ciro seja competente, culto, esclarecido e democrata e Bolsonaro seja isso que ele mostra todos os dias, uma nulidade ambulante e perigosa que coloca em risco a democracia brasileira.

Devido principalmente ao talento de Bolsonaro de falar asneiras, incitar ódio e provocar tumulto, a campanha deste ano deverá ser a mais suja desde a redemocratização.

Por enquanto, Ciro e Bolsonaro não trocaram farpas, nem socos, nem tiros, mas tudo leva a crer que isso não demora a acontecer.

Bolsonaro parece ter adotado como modelo a campanha de Trump de 2016, na qual ele se comportou como metralhadora giratória, atirando contra tudo e contra todos, sem se preocupar com a verdade, a coerência, a elegância ou respeito aos semelhantes.

Partindo do fato de que deu certo lá, pode dar certo aqui.

Mas é claro que quem atira também é alvejado.

Lula já adotou a estratégia de não atacar Bolsonaro. Já disse a aliados, antes de ser preso, que pretende deixar que outros candidatos o façam.

O fato é que Lula, por estar na dianteira isolada e disparada, é o único que não precisa bater em ninguém. Quem bate é quem está atrás, na tentativa de derrubar quem está logo acima.

Atacar Lula também não vai funcionar, porque ninguém foi mais atacado do que ele nos últimos anos, sem que sua popularidade fosse abalada. Não tem mais o que chafurdar na sua vida. Não haverá uma outra enfermeira a proclamar que ele a obrigou a abortar.

E outra, bater em Lula será um péssimo negócio, não se bate em quem está numa situação tão delicada como ele. Periga ele subir ainda mais nas pesquisas.

Alckmin, para manter a sua fama de Santo e vender a imagem do pacificador, não deverá usar artilharia pesada, a não ser aquela que não possa ser identificada com ele. Mas, se começar a pontuar mais, os ataques se voltarão contra ele e munição não falta.

Marina não vai bater em ninguém. Tende a desaparecer em meio aos tiroteios que se desenham no horizonte.

Quanto a Bolsonaro e a Ciro, eles sim têm telhados de vidro e calcanhares de Aquiles às pencas, muito mais que seus adversários, telhados muito diferentes, é claro, a começar de que Ciro jamais apoiou a ditadura nem torturadores.

Embora os tempos exíguos do horário eleitoral na tevê restrinjam o volume de ataques, estes deverão ficar concentrados nas inserções a que os partidos têm direito durante os intervalos comerciais. Este será o campo preferencial dos duelos ao amanhecer.

Bolsonaro e Ciro são os que mais vão atacar. E os mais atacados.

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