Don Quixote e Sancho Pança

Se o Obama tivesse descoberto a cura para o câncer, Trump teria achado uma maneira de destruir a fórmula. Isso é o que ele vem fazendo desde que assumiu a presidência e parece ser a missão do seu mandato, acabar com tudo que leve o nome do seu antecessor

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington 29/03/2018 REUTERS/Carlos Barria
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington 29/03/2018 REUTERS/Carlos Barria (Foto: Mauro Nadvorny)

Se o Obama tivesse descoberto a cura para o câncer, Trump teria achado uma maneira de destruir a fórmula. Isso é o que ele vem fazendo desde que assumiu a presidência e parece ser a missão do seu mandato, acabar com tudo que leve o nome do seu antecessor.

O acordo com o Irã pode ser o próximo ato anti-Obama. Ele ainda não disse se vão assinar a manutenção do acordo, mas vai dando sinais de que não aceita que ele permaneça como está.

Em sua ajuda, seu fiel escudeiro Netahnyau trouxe o que ele definiu como, um leque de informações bombásticas. Em uma apresentação de fazer inveja à República de Curitiba, mostrou documentos que alega terem sido roubados das autoridades iranianas, onde são descritos planos de um programa nuclear para se chegar a produção de bombas atômicas.

Ora, para quem conhece minimamente as relações internacionais e acompanha os movimentos de países que almejam se tornarem parte daqueles que disputam uma certa hegemonia nas suas respectivas regiões, nada de novo foi apresentado. Diplomacia é como um jogo de Pôquer, blefar é parte das regras.

Que o Irã mentia sobre seus propósitos em relação ao uso da tecnologia atômica, isso era sabido e de conhecimento público. Aliás, foi justamente por isso que tiveram inicio as sanções econômicas que acabaram levando ao acordo com a Europa e os EUA. Acordo esse, que desde então vem sendo respeitado pelo país.

O que nos surpreenderia a todos seriam provas de que o Irã estivesse descumprindo cláusulas deste acordo e que de alguma maneira mantivesse ativo seu programa nuclear, mesmo que com fins pacíficos, o que não aconteceu.

Nathanyau é um mestre em manipulação. É aquele tipo de político que produz discursos com as pausas para receber aplausos. Sabe, como ninguém, inflamar as massas. Foi assim que conduziu ao assassinato de Ytzchak Rabin. Foram as suas palavras que instigaram o assassino e o inspiraram a cometer o crime.

Nada mudou na sua forma de pensar e de agir. Ele não tem escrúpulos e sua motivação foi e sempre será de cunho pessoal. Sua arrogância, assim como o seu ego, não conhece limites. Mesmo colecionando inúmeros inquéritos policiais contra si, continua agindo como se nada existisse contra ele.

A história é cheia de personagens que ganharam apoio popular mostrando as massas sua luta contra um inimigo externo. Este inimigo podia ser um regime político, uma nação ou um povo. Este último, nós judeus conhecemos bem. E as massas sempre responderam bem a estes líderes emprestando-lhes apoio durante um tempo. Felizmente nada é eterno e seus dias chegam ao fim. O estrago que causam, entretanto, nem sempre pode ser reparado.

Enquanto isso ele vai jogando mais uma pá de cal na democracia israelense. Agora o primeiro ministro e o ministro da defesa podem decidir iniciar uma guerra sem pedir a mais ninguém que concorde. Mas para assinar um acordo de paz ainda é necessária uma maioria de votos no parlamento.

Felizmente ainda podemos resistir e levar mais pessoas a compreenderem o que está acontecendo. Enquanto formos capazes de nos manifestarmos em prol de um mundo melhor, denunciando estas arbitrariedades, aqui estaremos.

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