E que tal um general na Economia?

"Se o governo teve e tem generais em todas as áreas (uma dúzia já foi mandada embora), é preciso testar mais um, agora na economia, até porque a melhor parte seriam as controvérsias diárias em torno do gestor do teto", defende o jornalista Moisés Mendes

(Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia 

Mário Henrique Simonsen foi engenheiro antes de ser um gênio da economia. Pedro Malan também é. Pedro Parente é outro engenheiro (eletrônico). Otávio Gouveia de Bulhões era formado em Direito. Roberto Campos, em filosofia.

Todos aprenderam economia, na lida e mais tarde na academia, mas originalmente tiveram outra formação. Eram e são profissionais de exceção que chegaram a altos postos na área econômica, sem o diploma acadêmico inicial de economista.

Generais passam por aulas de engenharia, disciplina decisiva para atividades militares, mas não se sabe se estudam economia como matéria obrigatória.

Aprendem administração e gestão de quartéis e de tropas e são altamente especializados em logística. Mas chegaram a ter algum dia uma aula de econometria básica?

A engenharia é prima da economia e ofereceu alguns dos melhores quadros de gestores públicos e privados no Brasil, principalmente a partir dos anos 80, muitos deles dedicados a entender e derrotar a inflação.

Então, por que não um general bom em engenharia para substituir Paulo Guedes? Um general que saiba o que é base monetária e que estude num dia e no outro dê aulas sobre teto de gastos.

Que seja eloquente, participe de entusiasmados debates na Globo News e dê um baile em Merval Pereira e Miriam Leitão sobre despesas discricionárias.

Mas que, nas redes sociais, fale diretamente para o povo, e não para o mercado, porque agora o que interessa mesmo é o eleitor, e não os banqueiros e os garotos da Faria Lima.

Que seja capaz de dizer: os brasileiros que hoje mordem ossos amanhã estarão comendo filé. Que prometa baixar o preço do gás, da gasolina e do pé de galinha na porrada.

Um general ministro da Economia que, sem muitos pruridos, imite o que Eduardo Pazuello fez no Ministério da Saúde. Que diga que obedece Bolsonaro sem contestações, porque quem pode manda e quem não pode baixa o boné.

Chega de ministro liberal comprometido com reformas que não resultam em nada. Pode ser a hora de um general que enfrente com poder militar a inflação, o desemprego e a miséria.

O novo Bolsonaro populista precisa de um ministro otimista, que substitua aquela carranca depressiva de Paulo Guedes por um entusiasmo delirante.

A live desta sexta-feira, com Bolsonaro e Guedes com caras de me-engana-que-eu-gosto, apenas deu sobrevida ao posto Ipiranga. Aquela pode ter sido a cena final.

Bolsonaro perde tempo não escolhendo um general que prepare o terreno para 2022. Que, sem prestar contas a ninguém, atenda a todas as demandas do chefe, estoure todos os tetos e abra ainda mais o cofre para o centrão.

Bolsonaro seria carregado até a campanha por um general obediente às suas ordens e gastador. Um general do povo. Claro que muita gente do time iria embora, como foram os boys de Guedes, mas assim é o jogo.

Se o governo teve e tem generais em todas as áreas (uma dúzia já foi mandada embora), é preciso testar mais um, agora na economia, até porque a melhor parte seriam as controvérsias diárias em torno do gestor do teto.

O desfecho, já se sabe, é que Bolsonaro não vencerá a eleição, mas também não correrá riscos, mesmo que desafie todas as leis e normas do bom senso na economia.

Não haveria risco algum nem se encontrassem dezenas de ilegalidades enquadradas como pedaladas.  

Daqui a pouco não haverá tempo para mais nada, muito menos para impeachment, porque todos só pensam na eleição.

Um general no Ministério da Economia seria perfeito se, além de engenharia, tivesse estudado teologia, como Bob Fields estudou.

Estaria mais perto de Deus e poderia falar em nome dele com lastro acadêmico. Um ministro da Economia militar e terrivelmente evangélico. Claro que deve ter um general com esse perfil.

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