Era uma vez a ABI

A ABI velha de lutas democráticas não existe mais. Anteontem houve um verdadeiro barraco na sede da entidade quando os jornalistas Lygia Jobim, Solange Rodrigues e André Moreau tentaram entregar ao presidente da entidade, Domingos Meirelles, um manifesto subscrito por dezenas de jornalistas denunciando os recentes atentados à ordem democrático e a marcha de um golpe sob a forma de impeachment sem fundamento sólido.

O insólito acontecimento é narrado, a seguir, por Mario Augusto Jakobskind:

"Quando tentamos entregar o manifesto contra o golpe midiático, judicial e parlamentar em andamento, Meirelles não só se recusou a receber o material das mãos da associada Lygia Jobim, ex-presidente do Conselho Deliberativo da ABI, como destratou este associado e também ex-conselheiro e ex-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa da ABI,  que fotografava a entrega, assim como Solange Rodrigues, editora do IDEA, programa de televisão, canal universitário de Niterói/UNITEVÊ-Universidade Federal Fluminense (UFF),  e André Moreau, outro ex-conselheiro, que estava na antesala. Todos são membros da comissão  coordenadora do manifesto dos jornalistas contra o golpe. 

 
Aos brados,  tentou nos expulsar.  "Saia daqui, você não está em sua casa?". Em resposta, argumentei que ele estava censurando o trabalho de repórter fotográfico. Apoplético, dando a impressão que partiria para a agressão física, Meirelles bradou com a voz alterada: "Conheço o seu currículo. Retire-se."
 
Com esta conduta, Meirelles mais uma vez confirmou seu papel de linha auxiliar de entidades representativas do patronato midiático, como a Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) e a ANJ (Associação Nacional dos Jornais).   O manifesto dos jornalistas acabou sendo protocolado pela diretora Ana Costabile, que assinou o recebimento quando também se encontrava na sala da presidência, prometendo encaminhá-lo ao presidente.  O lamentável episódio revela a faceta autoritária e grosseira do atual presidente da ABI que, definitivamente mostra-se despreparado para presidir a entidade que por tantos anos foi a trincheira de defesa da liberdade de expressão e da democracia", diz Jakobskind concluindo seu relato.

Realmente lamentável. A ABI foi tomada não só pelo conservantismo mas também pela intolerância.

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