Exterminador da floresta: Bolsonaro quer criar boi em terra indígena

"Sem mostrar a menor preocupação com as gravíssimas consequências para o meio ambiente desta nova ofensiva contra a Amazônia, Bolsonaro só queria mudar de assunto", escreve o jornalista Ricardo Kotscho sobre a nova ideia de Jair Bolsonaro, em meio ao escândalo das rachadinhas de Flávio Bolsonaro

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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

“Temos que criar boi em terra indígena para reduzir preço da carne, diz Bolsonaro”: título da matéria de Gustavo Uribe, publicada no online da Folha, na manhã desta quinta-feira.

Trata-se do maior crime ambiental contra a humanidade anunciado há pouco pelo presidente da República no cercadinho do Alvorada, como se estivesse falando numa reunião de condomínio nas “Vivendas da Barra Pesada”.

Sem mostrar a menor preocupação com as gravíssimas consequências para o meio ambiente desta nova ofensiva contra a Amazônia, Bolsonaro só queria mudar de assunto.

Os repórteres queriam saber das acusações feitas pelo Ministério Público do Rio contra seu filho Flávio 01 e o amigão Queiroz, envolvidos em lavagem de dinheiro de “rachadinhas”, imóveis comprados com dinheiro vivo, cheques depositados em contas das mulheres do clã e até uma loja de chocolate, fora as relações perigosas com as milícias.

Mas Bolsonaro se limitou a dizer que “não tem nada a ver com isso” e resolveu defender a criação de gado em terras indígenas para diminuir o preço da carne.

Segundo a reportagem, o capitão anunciou que pretende incluir a regulamentação da agricultura e pecuária comerciais em terras indígenas na proposta de liberação da atividade de mineração.

Ou seja, toda a destruição causada na floresta amazônica neste primeiro ano de mandato, que assustou e revoltou o mundo civilizado, é apenas o começo de uma operação de terra arrasada para acabar com as reservas indígenas criadas na Constituinte de 1988.

Cercado de seguranças e ao lado de dois índios que estavam no seu “grupo de apoio”, o presidente defendeu o “direito” de arrendarem suas terras para a criação de gado por terceiros.

“O índio vai poder fazer em sua terra o que o fazendeiro faz na dele, respeitando a legislação nossa”

Nossa de quem, cara pálida? Legislação já existe há muito tempo, só que não é respeitada pelos seguidores do capitão.

Nos primeiros 9 meses de governo, desmatadores, criadores de gado, madeireiros, garimpeiros e plantadores de soja foram liberados para promover 160 invasões em 153 áreas indígenas.

O que Bolsonaro quer fazer agora é legalizar, oficializar e incentivar a ocupação da floresta para a alegria dos novos desbravadores que estarão liberados para matar e desmatar.

Com o cinismo que lhe é peculiar, o capitão ainda justificou assim seus planos insanos e dementes:

“O preço da carne subiu. Nós temos de criar mais bois aqui, para diminuir o preço da carne e eles (os índios) podem criar boi”, afirmou para agradar ao mesmo tempo o “gado bolsonarista” e os consumidores, que deixaram de comer carne em seu governo.

Assim termina 2019, primeiro ato da tragédia anunciada, o ano em que o governo brasileiro decidiu declarar guerra à civilização.

Não é de pouca desgraça que estamos falando: os 900 mil indígenas brasileiros ocupam áreas demarcadas e protegidas por lei no total de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 13,8% do território brasileiro.

É nesse mundão de terra que Bolsonaro quer tacar boi, depois que derrubarem e saquearem a maior floresta tropical do mundo.

E ninguém vai fazer nada?

A ONU não vai se manifestar?

Vamos assistir bestificados a mais essa chacina?

Perto disso, as “rachadinhas” são brincadeiras de criança.

Mas são elas que estão nas manchetes, não a Amazônia ameaçada.

Vida que segue.

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