Fascismo e fome

Desde o Golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, o Brasil foi atacado por medidas antipopulares e políticas neoliberais perversas

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(Foto: Roberto Parizotti | ABr)
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Virgínia Berriel

Desde o Golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, o Brasil foi atacado por medidas antipopulares e políticas neoliberais perversas. O capitalismo sem limites e o rentismo é quem ditam as regras e expõem as vísceras de um país faminto, que sofre a barbárie imposta pelo mercado, pelo agro, e principalmente, pelo mau caratismo de quem é governo.

A miséria e fome bateram à porta de mais de 19 milhões de brasileiros. Mesmo com toda a solidariedade, os diversos movimentos não conseguem alimentar todos que estão na linha da pobreza, na miserabilidade e com o prato vazio.

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Os ossos de boi, as carcaças de frango, os pés de galinha, os restos de peixes, agora são comercializados, vendidos, e não é a preço de banana. Uma realidade de doer! Lembro muito bem, porque nasci e cresci na roça e essas miudezas todas sempre eram doadas. Cabeça e miúdos de porcos, bois, frangos e galinhas, inclusive os pés eram doados. 

Os porcos eram alimentados com uma ração, um cozido que levava mandioca, abóbora e folhas de verduras. Eram mais bem alimentados, e são até hoje, melhor do que conseguem muitas famílias. 

A luta contra a fome, certamente, tem sido uma aventura para muitos brasileiros famintos. A busca por comida se transformou na luta por sobrevivência para milhares de pessoas.

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Vamos resgatar e lembrar que nosso país saiu do mapa da fome nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. A fome foi erradicada graças aos programas de inclusão social como o Bolsa Família. Programa que foi reconhecido pela ONU mundialmente eficaz no combate à fome. 

É de doer o coração as imagens de brasileiros procurado restos em lixões, comprando ossos, revirando latas e caminhões de lixo. São cenas que nos fazem chorar. A indignação é tamanha, faz muito mal. São imagens degradantes de um Brasil que grita, que pede socorro, que está sufocado e parece morto.

O que fizeram com o Brasil? Se transformou num país ridicularizado e subserviente, uma nação triste, com um monte de famintos, perambulando pelas ruas, jogados e marginalizados pela política fascista e neoliberal. Uma política que só defende e inclui os interesses do capital, do mercado, dos ricos e estes estão ainda mais ricos.

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O que prevalece é o desrespeito ao povo brasileiro. O chefe da Nação mente e propaga descaradamente a mentira e o ódio. O seu projeto político é a necropolítica. Ele odeia os pobres, os trabalhadores, os pretos, os educadores, a cultura, os indígenas, os jornalistas, as mulheres… Ele é uma coisa, uma criatura que ainda está na Presidência porque o seu projeto de desmonte e destruição beneficia aqueles que enriquecem cada vez mais à custa do suor e sangue do nosso povo.

Brasil maior produtor de carne e grãos

Produtor mundial de grãos, carnes e diversos outros alimentos, o Brasil – país do agronegócio, mata de fome os pobres, desamparados e desempregados. É um flagelo social que vai deixar marcas profundas. Não dá para apagar as marcas da fome ou fingir que não estamos vendo. Quem não quer enxergar não é por miopia, mas, sim, por total descaso.

O rebanho de gado brasileiro em 2020, foi o maior do mundo, representando 14,3% do rebanho mundial. O país foi o maior exportador de carne bovina no ano passado. Além da carne, o país ocupa o quarto lugar no mundo na produção de grãos: soja, milho, feijão e arroz. É o maior produtor de açúcar e café e o terceiro no mundo em produção de frutas.

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Como um país que lidera a produção de carnes e de alimentos e as exportações desses produtos, mata a fome do mundo, mas não consegue matar a fome dos brasileiros?

O agro se transformou num dos negócios de maior rentabilidade ao país, através das commodities agrícolas, ou seja, mercadorias de consumo que alimentam o mercado global, negociadas em bolsas de valores em todo o mundo, como o petróleo. As principais commodities do nosso agro são: soja, laranja, milho, trigo, açúcar, algodão, entre outras. Alimentam o mercado globalizado, dolarizado e matam de fome o nosso povo, deixando para eles apenas restos: os ossos, o feijão bandinha, o arroz quebradinho e os farelos. 

Enquanto isso o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, numa ação social gigantesca, faz o agro passar vergonha. Com todas as restrições e ataques o MST produz toneladas de alimentos que são doados nas periferias do nosso país. Cabe destacar que o MST é um dos maiores produtores de arroz orgânico do país. Em 2020, foram produzidas pelo Movimento, e doadas, mais de 15 toneladas de alimentos nas periferias do Espírito Santo. No Paraná, na região de Castro, foram distribuídas 12 toneladas de alimentos. Também em Recife, Porto Velho, Brasília e Florianópolis o MST, a Via Campesina e o MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores, distribuíram toneladas de alimentos.

Negacionismo e fascismo matam

Vivemos tantas dores: a dor pelas mais de 615 mil vidas perdidas para a Covid-19; a dor da morte pelo arbítrio da polícia que executa sem piedade jovens, pretos, pobres e favelados – além das execuções e chacinas, ainda há as balas perdidas e achadas no corpo dos invisibilizados; a dor das vidas perdidas para a fome. 

Sem dúvida, todas as mortes são resultado da política do negacionismo e do fascismo explícitos que está devorando o nosso país. A ignorância é a cara da morte desse governo e de seus ministros, que tripudiam o povo pobre e os trabalhadores.  

Necessário matarmos a fome de todos que lutam por comida, como estão fazendo o MST, a Via Campesina, o Movimento dos Pequenos Agricultores e os diversos movimentos sociais, juntos ou separados.

Faço questão de resgatar aqui, como estamos próximos ao Natal e fim de ano, das imagens fortes, na orla de Copacabana, com mais de cem carrinhos de supermercado vazios, num ato contundente da Ação da Cidadania para chamar a atenção da sociedade para a necessária a doação de alimentos para o Natal sem Fome. A Ação da Cidadania coleta anualmente toneladas de alimentos que se transformam em cestas básicas distribuídas nas periferias e favelas do Rio de Janeiro e de todo o país. 

Somente através das ações de caráter solidário conseguiremos minimizar um pouco o impacto da tragédia da fome. Mas, para além de todas as ações solidárias, só avançaremos quando os negacionistas e os fascistas forem combatidos, devidamente culpabilizados e julgados pelos crimes que cometeram contra o Brasil e o povo brasileiro. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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