Fragmentos contemporâneos e reflexões para se discutir no botequim virtual

"A elite não aceita a prosperidade do pobre, que por sua vez tem dificuldade em sair da posição de semi-ajoelhado"

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Ela é um jacaré 

Os negacionistas afirmam que a CoronaVac não é eficaz, os conspiradores acreditam que possui um chip embutido que muda o DNA de quem for vacinado. Indo ainda mais longe nessa viagem, pastores das igrejas de denominações evangélicas, apregoam que se trata da ‘enzima do demônio’.  Amplificando o absurdo, Jair Bolsonaro assustou tia Bazinha, quando disse que a vacina iria transformá-la em um jacaré. 

Eduardo do Rio 

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, filiado ao DEM, administrou a cidade em outra ocasião e, noves fora Cabral, sempre demonstrou disposição para o trabalho, tem conhecimento geográfico, social e cultural da cidade, mas foi simplista ao afirmar que não compreendia ter shopping aberto e escolas fechadas. O alcaide reproduziu uma ilusão ideológica de liberdade, porque ir para a escola é uma decisão coletiva, ir ao shopping é uma decisão individual. 

Lista de espera 

Mensagem automática de um laboratório privado para os clientes que ligam a procura da vacina: “Prezado cliente, sobre a vacina para a Covid-19, informamos que não temos informação sobre eventual comercialização dessa vacina e não temos lista de espera”. Essa possibilidade é real, clínicas privadas divulgaram que estão negociando a compra de 5 milhões de doses da vacina indiana. Isso é um indicativo de quem pagar vai passar na frente da fila para ser imunizado. 

À queima-roupa 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi derrotado nas eleições de novembro passado e, desde então, vem sendo derrotado diariamente por não aceitar o resultado das urnas. A apoteótica derrocada, foi a tentativa de invasão do Capitólio pelos trumpistas delirantes, causando a morte de uma apoiadora de Trump por tiro de arma disparado por um agente da polícia do Capitólio. Após o incidente, Donald Trump reconheceu a derrota. 

Boquinha, VAN e botijão de gás 

Pode acontecer o mesmo no Brasil, caso Bolsonaro não se reeleja em 2022?   Já está acontecendo. Os militares estão dentro do governo, calcula-se que são 3 mil, existe uma milícia bolsonarista organizada em células camufladas pelo controle do comércio e do transporte, mas que possui estrutura e característica terrorista. O presidente não está insistindo na utilização da cédula impressa com receio de perder as eleições por fraude, ele está dando a senha de que não vai aceitar uma derrota. 

Apesar de toda essa estrutura, não existe uma cartilha para um golpe de Estado caso Bolsonaro perca as eleições. Os militares, assim como Bolsonaro, não têm projeto para o país, são os fardados da ‘boquinha’, que se agarraram como carrapatos no mandato sem produzir nada. A milícia armada, sem ordens e táticas estratégicas, é um braço inútil e desarticulado. A gritaria vai ser grande, a vizinhança fascista vai espernear, os filhos do presidente tentarão atrair frequentadores de academias, influenciadores da internet, madames, coronéis e artistas do Leblon, mas não será no grito que esse governo continuará a sodomizar o país. 

O ciclo e o livro de previsões do passado 

O Brasil foi marcado por restrições e privilégios e carrega essa herança. Foi o último país a acabar com a escravidão oficial, nas décadas seguintes cresceu e se transformou em um gigante das Américas, apesar das crises institucionais e dos golpes de Estado. Nos últimos quarenta anos vivemos o fim da ditadura, o começo da Nova República, a eleição direta, o governo Collor, governo Itamar, Plano Real, governo Fernando Henrique, governo Lula, governo Dilma, o impeachment, o golpe parlamentar-jurídico-midiático, a Lava Jato, a destruição das indústrias, a prisão de Lula, a eleição de Jair Bolsonaro e a pandemia.  

Fizemos todo o ciclo e chegamos ao início do século passado nas questões civilizatórias. A elite não aceita a prosperidade do pobre, que por sua vez tem dificuldade em sair da posição de semi-ajoelhado. Estamos atrasados no protocolo da vacinação, mais do que em países menos desenvolvidos. Testes para detectar o vírus apodreceram em um galpão no aeroporto, o que pode vir a acontecer com a vacina se o governo não comprar seringas e agulhas.  

Autor da frase, “que deus tenha piedade dessa nação”, Eduardo Cunha, o caranguejo, vai lançar um livro que é uma bomba desarmada. 

Está em qualquer profecia que o mundo se acaba um dia”. Ponto final. 

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