Goebbels com WhatsApp

Jornalista Alex Solnik compara o método de comunicação de Jair Bolsonaro e seu clã com o utilizado pelo regime nazista de Adolf Hitler. Pelo WhatsApp, diz Solnik, Bolsonaro quer que a população concordar com tudo o ele diz e estabelecer o pensamento único majoritário, além de "perpetuar-se no poder por meio do medo"

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia 

A prova mais evidente de que o projeto de Bolsonaro, de seus filhos e do seu entorno é implantar um regime autoritário em nosso país, subvertendo a democracia, é o emprego massivo de poderosos meios de comunicação, como o WhatsApp para convencer a sociedade das verdades que o governo quer impor, por mais absurdas que sejam, com o objetivo de 1) a população concordar com tudo o que o presidente diz; 2) formar uma opinião favorável a ele,  já que tudo o que diz é verdade e os que não concordam com ele mentem; 3) estabelecer o pensamento único majoritário, de modo que os que pensem diferente sejam considerados minorias nocivas, execrados e por fim linchados e 4) perpetuar-se no poder por meio do medo, com o discurso de que quanto mais forte o governo é maior proteção oferece aos cidadãos expostos à criminalidade que não para de crescer.

Quando Bolsonaro disse que as queimadas na Amazônia eram provocadas por ONGs, essa falácia foi imediatamente replicada por milhares de robôs que atuam na milícia digital e reproduzidas em grupos de WhatsApp, neutralizando, assim o noticiário da imprensa que mostrava fazendeiros e madeireiros como os grandes responsáveis.

Além de difamar os ativistas ambientais, que não fazem parte do seu gado, ele blindou seus eleitores de 2018 – fazendeiros e madeireiros - que tenta preservar para 2022.

Um governo democrático não precisa usar essas ferramentas que beiram a lavagem cerebral, mesmo porque a essência da democracia é a livre expressão e debate de todos os pensamentos, e não a interdição deles.

Os governantes democratas estimulam o contraditório, o que os diferencia dos tiranos.

A essência da máquina de propaganda que Bolsonaro comanda é a mesma da montada por Joseph Goebbels à frente do Ministério da Propaganda de Hitler, modelo copiado por Getúlio no D.I.P do Estado Novo.

Consistia em exaltar o “fuhrer” por todos os meios de comunicação, todos os dias, 24 horas por dia, mantendo sua imagem sorridente, muitas vezes com crianças no colo, viva na cabeça dos alemães; transformar judeus e comunistas em bodes expiatórios da miséria em que o país afundava e repetir milhares de vezes, até virarem verdades, as mentiras que Hitler precisava espalhar, como, por exemplo, a de que a invasão da Europa era necessária para proteger os alemães residentes nos países invadidos, ameaçados pelos governos locais e a de que os judeus não estavam sendo deportados para campos de extermínio, e sim para colônias especialmente feitas para eles a fim de afastá-los dos alemães, pois eram portadores de doenças contagiosas.

Se apenas com propaganda nos jornais, rádios, cinemas, livros, teatros a população alemã, de alto nível cultural foi enganada por nazistas e depois se viu diante de um país em ruínas, imaginem o estrago que pode fazer o mesmo método impulsionado por WhatsApp numa população muito menos esclarecida que a alemã dos anos 30.

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