Guerra entre bolsonarismo e lavajatismo condenou Lula

Nesse compasso entre o que está morrendo e o que vai nascer, atos como essa chicana têm o único objetivo de interditar o debate

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A chicana que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância na 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado na cidade de Porto Alegre, tem alto significado político. O julgamento não tem mérito jurídico algum. Foi apenas a confirmação de um processo persecutório que tomou forma assim que Lula assumiu a Presidência da República.

Até os urubus que voam sobre o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, sabem que aquela propriedade não pertence a Lula. E que muito menos ela passou por algum esquema de propina. Mas os abutres lavajatistas tiram o máximo que podem dela para impedir qualquer possibilidade de se formar no país uma tendência política com solidez para chegar às estruturas sociais históricas desse regime de exploração.

Esse tipo de julgamento é histórico no Brasil, mas, como todos, tem suas singularidades. Os autos do processo começaram a serem juntados quando um projeto político alternativo ao neoliberalismo venceu as eleições de 2002. O fracasso daquela experiência anterior à administração de Lula e o relativo sucesso dos governos que lhe sucederam ascenderam alguns sinais no país.

Um, o amarelo, sinalizou para a direita que na democracia de massas é impossível formar um governo com solidez política para sustentar seu projeto. Em um país com essas estruturas sociais, marcado por uma extensa fenda entre ricos e pobres, entre explorados e exploradores, não é possível, pela via democrática, dar estabilidade a um sistema político que nega o desenvolvimento com justiça social.

O outro, o verde, mostrou que as massas podem avançar para uma sociedade em que a produção e a distribuição da riqueza tenham um mínimo de justiça. Lula foi capaz de galvanizar forças que levaram a grande massa do povo a ter certa representatividade política no Estado, sobretudo por meio de políticas públicas.

Nem Lula nem a sua sucessora, Dilma Roussef, propuseram algo que pudesse abalar as históricas estruturas sociais brasileiras. Quando muito, domaram algumas tendências injustas de distribuição de renda, mas sequer chegaram perto de medidas simples, como a democratização da comunicação com base no que determina a Constituição – a tão atacada ideia de controle social da mídia.

Ao condenar Lula com um pretexto tão grosseiro quanto foi no caso do Triplex do Guarujá (litoral paulista), que o levou à sua criminosa prisão em Curitiba, a turma de Sérgio Moro – que comemorou a sentença de Porto Alegre, publicando a notícia pelo site O Antagonista, porta-voz da corrupção lavajatista – apenas deu prosseguimento ao processo de criminalização política da esquerda.

A condenação não foi imposta só ao ex-presidente. É uma sentença contra a luta histórica por um modelo econômico desenvolvimentista e de inclusão social. O espectro da Operação Lava Jato – que inclui os que referendam as fraudes de Moro e sua trupe, no TRF-4, os que estão de acordo com elas no Supremo Tribunal Federal (STF) e a mídia (sobretudo o Grupo Globo) – tem a missão de impedir que uma alternativa progressista volte a se organizar.

A crise terminal do governo Bolsonaro reascende o clima de disputa de projetos de poder. Nesse compasso entre o que está morrendo e o que vai nascer, atos como essa chicana têm o único objetivo de interditar o debate. A guerra entre as facções bolsonaristas e lavajatistas pretende resolver a crise entre eles. Os setores progressistas ganhariam fácil a batalha se a eles fossem franqueados o ingresso no debate de forma democrática.

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