Guerra volatiliza preços de combustíveis e implode tripé econômico neoliberal

"Se mantiver o câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário, Bolsonaro perde capacidade de governar", escreve César Fonseca

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(Foto: REUTERS | Reprodução)


Por César Fonseca

No mundo em guerra, BC manterá câmbio flutuante para acelerar preço da gasolina e transformar trabalhador em pária econômico? Bolsonaro tem pela frente seu maior desafio eleitoral; se mantiver o tripé econômico neoliberal – câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário, em vigor desde os anos 1990, imposto na Era FHC, por imposição do Consenso de Washington –, perde capacidade de governar e pode dar adeus à reeleição.

A insegurança do presidente da República, nesse cenário, está sendo expressa por ele, mesmo, em forma de pânico indisfarçável, ao dizer, hoje, que não consegue decidir nada, relativamente, aos preços dos combustíveis; está de pés e mãos amarrados, diante da política de preços de paridade de importações(PPI) praticada pela Petrobras, dominada pelos acionistas privados, por Wall Street e petroleiras internacionais, especialmente, americanas. 

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Na prática, o presidente antecipou e avalizou declarações do líder dos caminhoneiros, na greve da categoria, em 2018, de que vem aí greve geral; ou seja, o país está a um passo da paralisação e desorganização econômica, cujas consequências políticas são incógnitas, dado o círculo de ferro imposto pela inflação.

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CONGRESSO APAVORADO

Sob pressão total dos acontecimentos que ajudou a criar, o Congresso, avalista do golpe de 2016, que jogou país em tal situação, corre atrás do prejuízo, para mudar a política suicida da Petrobrás; cria um esparadrapo vagabundo: fundo financeiro para subsidiar, temporariamente, consumidores, sem lhes dar garantia de estabilidade de preços, enquanto tenta, dessa forma, estimular investidores externos, para ampliar oferta das refinarias, privatizadas na bacia das almas; algo, totalmente, insuficiente e antinacional, segundo o engenheiro especialista em petróleo, Paulo César Lima, consultor da Câmara dos Deputados.

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O poder Legislativo, que pôs o Executivo no impasse total, é chamado a jogar água na fogueira, que ganhou dimensão extraordinária com a Guerra na Ucrânia, responsável pela disparada desproporcional do preço do óleo e do gás; de repente, as reservas petrolíferas se valorizaram acima do valor da própria moeda, desvalorizando-a e jogando a sociedade na inflação incontrolável.

RENDIÇÃO DE BIDEN A MADURO

Não é à toa que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, verdadeiro responsável pela guerra ao avalizar avanço da OTAN no leste, para tentar desestabilizar regime nacionalista russo, que reagiu e invadiu Ucrânia, corre atrás de quem ontem era considerado inimigo, ou seja, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aliado de Putin e Jiping; por deter, segundo os especialistas, segunda maior reserva de petróleo do mundo, atrás da Rússia, Venezuela vira interlocutor indispensável dos Estados Unidos, depois de já ganhar independência geopolítica estratégica; afinal, antes de a guerra estourar, fez aliança com China e Rússia; resguardou-se, dessa forma, das ameaças de Washington; como inviabilizou relação com a Rússia, Biden se volta para a América do Sul, pedindo socorro; caso contrário, a economia americana poderá sofrer baque incontrolável; avançam, portanto, as incertezas quanto saúde do capitalismo; as sanções americanas contra a Rússia vão deixando dúvidas de que poderão afetar ainda mais os europeus, que, sem poder comerciar com os russos o seu gás e seu petróleo, precisam adquirir esses produtos nos Estados Unidos, pagando muito mais caro; o destino da social democracia europeia, com a disparada dos preços, decorrentes das sansões americanas, entra no fio da navalha, nas próximas eleições. Resultado: europeus podem detonar, nas urnas, a OTAN. 

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TRIPÉ SEM UTILIDADE PRÁTICA

É nesse cenário que deixa de ter utilidade a política econômica e monetária brasileira ancorada no tripé econômico neoliberal, vulnerável à instabilidade decorrente da paridade de preços de importação do petróleo; a desvalorização cambial vis-a-vis petróleo-real impacta brutalmente a cotação dos combustíveis, enquanto os salários, diante da reforma trabalhista, perdem poder de compra de forma acelerada; se, antes da guerra, a deterioração dos termos de troca, salários versus preços, para os trabalhadores, já vinha aumentando, incontrolavelmente, a desigualdade social, com a dolarização dos preços dos combustíveis, torna-se, simplesmente, insuportável. 

O BC, diante disso, ficará parado, boca aberta, cheia de dentes, escancarada, esperando a morte chegar, como destacou Raul Seixas, ou meterá o mais rápido possível o pé no traseiro do tripé neoliberal, antes que exploda a insatisfação social?

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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