Gusttavo Lima e você quem, cara pálida?

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(Foto: Foto: Reprodução/Instagram)


O bafafá entre grupos sertanejos e a cantora Anitta, levou a se descobrir fundos milionários dos grupos apoiadores de Bolsonaro. Aqueles mesmos que reclamavam que artistas querem se locupletar da Lei Rouanet, são aqueles que têm esquemas indecentes com pequenas prefeituras e agora serão investigados pelo Ministério Público. A empresa que administra a carreira do Gusttavo Lima foi criada após Bolsonaro ganhar a eleição. Chama-se One7, um trocadilho para 17, número do presidente nas urnas.  A empresa de pequeno porte, comum faturamento de R$50 mil, acabou ganhando R$ 320 milhões de verba do BNDES, além de se descobrir que recursos de prefeituras pequenas são desviados da educação para pagar seus shows. Um escândalo.

Não é surpresa que a filosofia de Bolsonaro trabalha com uma pauta da extrema-direita internacional, que nem levam em consideração as particularidades de cada país. Trabalham apenas pelas questões de suas ideologias, se aliando com os pentecostais (que foi o grupo religioso que mais cresceu, com visão para política) e com o agronegócio (que também trabalha em um projeto de longo prazo para ser um projeto de país, na visão deles). Esses dois grupos, somados aos neoliberais fizeram eclodir tempos atrás o fascismo que vivemos nos tempos modernos. 

No famoso ensaio de Umberto Eco sobre os pilares do fascismo, temos uma grande lista de pontos a serem aplicados. Entre eles: O culto à tradição, o culto à ação pela ação (Como as práticas de tortura e morte de Genivaldo), o medo das diferenças. ( o Fascismo é racista por natureza), apelo à frustração social de uma classe média frustrada, foco retórico nos inimigos de esquerda e comunistas, desprezo pelos fracos, culto à morte, machismo e armas e condenação à homossexualidade, populismo seletivo e não menos importante a censura e controle dos meios de comunicação com desvalorização e censura à arte. 

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Mas é justamente no ponto cultural que Bolsonaro teria que ser seletivo, pois ter o apoio do agronegócio era importante. Hollywood já nos mostrou que o dinheiro não poderia comprar apenas votos na câmara ou no senado, era preciso fazer uma verdadeira lavagem cerebral, através de marketing positivo e campanhas culturais na TV, em shows e costumes. Lênin já dizia, desde os tempos da Revolução Russa de 1917, que: “o cinema é para nós o instrumento mais importante de todas as artes”. Isso foi bem absorvida pelo fascismo de época, que produziu em 1929, Sole, de Alessandro Blasetti, que foi o primeiro filme do regime fascista. Daí por diante foi criado o L’Unione Cinematografica Educativa em 1924; a Federação Fascista das Indústrias de Espetáculos, em 1925, e a Lei de Ajuda da Produção Cinematográfica, em 1931. Mas foi apenas  em 1937, que Mussolini inaugurou a Cinecittà, a versão de Hollywood, onde pode falar:  “o cinema a arma mais forte do regime fascista”.

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Não é a toa que a primeira medida depois do golpe em Dilma, foi de acabar com o Ministério da cultura. Desde então, Bolsonaro esquece toda evolução que a cultura conseguiu conquistar ao longo de anos e apenas privilegiar apenas os seus.  Prefere o vocabulário pobre e de sintaxe elementar, a fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico como explicou Umberto Eco. Por isso, a música sertaneja, com seus milhões que não compram um jabá na rádio e sim a rádio inteira se tornaram a música oficial do país. Você só possui dois gêneros de música no país. A verba que trabalham, vai para divulgação, compra de espaços comerciais em todos os meios de comunicação do país. Não é um projeto musical, de um músico aspirante aos holofotes, é um projeto empresarial muito poderoso e nada modesto. Os outros estilos musicais ficam à mingua de conseguirem espaços alternativos. Podem ouvir e prestigiar músicos como: 

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Graças a uma necropolítica do governo, ações do agronegócio que poderiam ser ponta no mundo e com respeito ao meio ambiente, acaba criando crimes como destruição em massa das matas do Pantanal e Amazônia, extinção criminosa de índios, exploração irracional das terras indígenas e agora o duto de dinheiro de verbas secretas para a farra dos sertanejos que apoiam o governo. O Brasil precisa urgentemente repensar a sua política cultural e trazer a diversidade novamente aos meios de comunicação. Não é preconceito a música sertaneja. É que hoje o lema parece: “Quem tem boca fala o que quiser. Quem tem grana é que vai a Roma!”

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